Primeiro, preciso deixar registrada minha decepção por não ter visto campos dourados e girassóis. A Toscana que eu vi do trem era mais verde que dourada (e no dia que eu cheguei nem sol tinha, estava frio e chovendo, embora depois tenha melhorado o tempo). Como eu cheguei já no fim da tarde, depois de altas aventuras no trem (5 horas de viagem e trocas de trem em Bolonha e Prato), não compensava mais fazer nenhum programa turístico, então eu só fui para o albergue, passei no supermercado e essas coisas.
No dia seguinte, acordei cedo, decidida a enfrentar logo uma das grandes filas da cidade: a Galeria della Accademia, onde está o David do Michelangelo, além de várias pinturas e esculturas. Uma hora e meia esperando, eu já achando que não valia a pena... Vi tantos cartões postais do David, de todos os ângulos possíveis e imagináveis, que eu não acreditava que faria diferença ver a estátua ao vivo. Mas fez. Eu meio que entrei em choque. Aquilo é perfeição, cada veia, cada fio de cabelo, cada músculo perfeitamente esculpido. Outra coisa que eu gostei foi a exposição temporária sobre pinturas relativas a casamentos. Eram baús, bandejas e quadros normalmente dados de presentes de núpcias para os noivos, normalmente contendo ensinamentos sobre virtudes que são vitais para manter um casamento. Histórias como a de Ulisses e Penélope (paciência, fidelidade), a romana Lucrécia (que preferiu morrer a viver desonrada após ter sido estuprada), Esther (obediência).... Ok. E aí, vem Alatiel, do Decameron de Boccaccio. Resumindo, ela era prometida para um rei, mas seu navio se perdeu em uma tempestade e ela foi parar em alguma outra terra, onde todos os homens a desejavam. Ela foi passando de mão em mão, até que conseguiu arranjar um jeito de ir para a terra do seu noivo, onde ela casou, conseguiu convencê-lo que era virgem, pura e honrada, e viveu feliz para sempre. ALGUÉM ME EXPLICA A MORAL DESSA HISTÓRIA? Tipo, Lucrécia-honra-morte X Alatiel-desonra-mentira-felicidade... Só eu que acho que tem algo de errado nisso? Enfim.
Depois, visita ao Duomo, para variar um pouco... Lindo, de algo em torno de 1300. Mas vou confessar que dessa vez não me animei em pagar para visitar Tesouro, Batistério, Torre e tudo mais. No entanto, visitei o Museu da Opera do Duomo, onde foram colocadas as obras retiradas do Duomo em algum momento da história para serem substituídas por outras. Estátuas impressionantes, incluindo a Pietà que Michelangelo tinha começado a esculpir para ser colocada na seu próprio túmulo.
Dia seguinte, fui visitar a Igreja da Santa Croce, onde estão enterrados, SIMPLESMENTE, Machiavel, Michelangelo, Galileo, Dante. Só gente sem importância, né? Além disso, afrescos lindos e outro museu da Opera, com mais quadros e estátuas. Saindo de lá, visitei a Casa Buonarroti, que foi da família do Michelangelo, mas que, para falar a verdade, não tem muita coisa que valha a pena. Próxima atração, Palazzo Vecchio dos Medici. Absolutamente megalomaníacos, mas fabulosos. Obra de arte atrás de obra de arte, cada ambiente é uma autocelebração sem infinita... Do lado de fora, a Piazza della Signoria, um museu a céu aberto, com várias obras primas da escultura (e uma cópia do David).
Atravesso o rio Arno pela Ponte Vecchio, que hoje é toda ocupada por lojas de joalheiros (eu li em algum lugar que antes os açougueiros da cidade que ficavam lá, até que os Medici construíram sobre as lojas um corredor que liga o Palazzo Vecchio e a Galleria Uffizi ao Palazzo Pitti, do outro lado do rio, e resolveram que era um negócio muito barulhento e mal-cheiroso, que deveria ser substítuido por algo mais agradável.) Do outro lado, Palazzo Pitti, mais zilhões e zilhões de quadros e os aposentos reais. Um pouco de informação visual demais, fica difícil absorver tudo ao mesmo tempo. Do lado de fora do palazzo, os jardins de Boboli. Infelizmente, não tenho fotos, acabou minha bateria... Mais esculturas fantásticas. Sinceramente, Florença é uma cidade impossível de descrever, a arte está por todos os lados e não há quem possa falar sobre cada escultura, cada quadro.
| Santa Croce |
| Salão do Palazzo Vecchio |
| Piazza della Signoria |
| Ponte Vecchio (o andar de cima, com as janelinhas quadradas, é o corredor dos Medici) |
Próximo dia, day-trip para Pisa e Lucca. Na verdade, Pisa não tem muito o que ver fora a famosa torre, a igreja e o batistério (ainda que eles sejam todos maravilhosos!). Lucca tem menos ainda, é simplesmente uma cidade bonitinha medieval, com algumas vistas espetaculares dos campos em volta.
| dispensa apresentações |
| Duomo de Pisa |
| Muralha de Lucca |
| Pôr do sol em Lucca |
Finalmente, como última atração do meu último dia em Florença, Galleria de Uffizi. Mais uma hora e meia de fila (e eu tive sorte, o normal é entre 2 e 4 horas). O que eu posso falar de um museu que tem a Primavera e o Nascimento de Vênus do Botticelli? Que tem obras de Da Vinci? Michelangelo, Caravaggio, Rafael, Tiziano. Surreal a sensação de ver esses quadros que você conhece da sua vida inteira, sabe? Já tinha tido isso vendo a Guernica, por exemplo, mas nesse museu foi um choque atrás do outro. Indispensável.
E é isso. Beijos, amorecos. Em breve, Nápolis. Prometo que não demorarei tanto, não tinha tanta coisa para ver por aqui e eu não vou ficar com taaanta preguiça de escrever (Florença me dava preguiça só de pensar por onde começar).
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