segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Napoli + Pompéia/Herculaneum

Nápolis é terrivelmente parecida com São Paulo. O trânsito é um caos (justo agora que eu finalmente tinha aprendido a atravessar as ruas de um jeito civilizado...), as ruas são sujas, batedores de carteira estão à espreita, tem bastante pedintes e crianças delinquentes... Mas foi uma das cidades da Itália que eu mais me diverti até agora, por incrível que pareça. É absurda a diferença que um hostel legal faz na sua viagem. Esse que eu estava era realmente uma casa, eu voltava para lá no fim do dia e me sentia confortável de verdade. Sem contar que tinha até um gato! Chegando nos 3 meses de viagem, fazer coisas realmente caseiras começa a ter um gostinho todo especial. Sentar no sofá e assistir um filme com um gato no colo e uma xícara de chá na mão, quer algo mais reconfortante? 

Simon, o gato do hostel :)

Na parte "atrações turísticas", eu gostei muito do Aqueduto subterrâneo, cosntruído pelos gregos e usado até o começo do século passado, quando a água foi contaminada por cólera. Depois, os túneis e cavernas serviram como abrigo anti-aéreo durante a II Guerra (adoro esse jeito que a História tem de ir sendo escrita por cima dela mesma). 
Momento Fantasma da Ópera com velas no aqueduto

O Duomo não é especialmente marcante, embora seja bonito...

O Museu de Arqueologia é imperdível! Lá está boa parte dos afrescos retirados das casas de Pompéia e Herculaneum, dá para ter um panorama bem interessante da cultura e arte romana (e grega também, já que os romanos copiavam vários modelos de pinturas gregas e usavam a mitologia como uma tema recorrente). A seção de estátuas também é bem completa, tem algumas impressionantes.
Afrescos de Pompéia

Busto de Caracalla (parece de verdade, sério)

Nápolis também serve de base para várias day-trips. Eu dei azar no clima e acabei deixando de ir para Capri por causa da chuva (mas pretendo consertar isso em breve!), então só fui para Pompéia e Herculaneum. Pompéia é maior e era mais rica, tem muito mais construções monumentais, templos, etc. Herculaneum, por outro lado, ficou mais conservada, as estruturas estão mais intactas, dá para ver casas com dois andares, por exemplo. Mas, se for para escolher uma só, fico com Pompéia, claro. Meio chocante pensar como, do nada, a cidade ficou simplesmente paralisada. (E, convenhamos, os pompeianos eram mais zicados do que eu. Só alguns anos antes da erupção, a cidade tinha sofrido com um terremoto. Foi só eles acabarem de reconstruir e redecorar as casas que acontece outra catástrofe...)
Pompéia

Pompéia

Herculaneum

Mas o ponto forte de Nápolis é a comida. Primeiro que é estupidamente barata. Mesmo. E depois que é maravilhosa. E é o lugar onde nasceu a pizza. Fui à Pizzeria Da Michele, que é um clássico napolitano. Totalmente sem frescuras. Dois sabores de pizza, margherita e marinara (molho de tomate e alho, sem queijo). Coca-cola, Fanta, água ou vinho. Acabou. Nada de zilhões de variações, sem sobremesa, sem nada. Mas vale muitíssimo a pena, pelo valor e pelo sabor (a pizza "normal", de uns 30 cm de diâmetro, custa 4 euros - e tem pizzarias quase do mesmo nível ainda mais baratas!). Agora, que os napolitanos não me ouçam (não quero a máfia atrás de mim, haha), mas nem achei melhor que as pizzas de São Paulo. Questão de gosto e de costume, possivelmente, mas a textura da pizza estava "errada" para mim. A pizza é bem fininha, mas não é crocante. Parece um pão naan indiano (que eu adoro, by the way. Mas uma coisa é textura de pizza e outra coisa é textura de naan), bem macio. E eles colocam menos queijo e mais molho (mas dessa parte eu gostei, a pizza fica mais leve, dá para comer ela inteira sozinha #gordinhafeelings). Também comi em tratorias aleatórias pela cidade. Não tão aleatórias assim, o pessoal do albergue que sugeria. Mas comi coisas interessantes, como macarrão com feijão, um tipo local de liguiça, vários tipo de bolinhos de aperitivo (tem um de arroz com recheio de queijo que é TOP!)... Vou fazer uma versão do Comer, Rezar, Amar, mas a minha vai ser Comer, Andar, Dormir, haha. Mas nos últimos dias eu já não aguentava mais tanta comilança, acabei indo para o supermercado e improvisando uma refeição de filé de frango, arroz e salada. Saiu mais caro que uma pizza do Da Michele, mas putz, eu estava precisando disso.


(escrito em Salerno, enquanto eu não tinha internet - postado de Sorrento)

Um comentário:

  1. Eu li a primeira frase e ia dizer: aah, lembra São Paulo? que amor! Aí você veio esse descrição destruidora de sonhos de Napólis/São Paulo, haha. Poxa! Triste essa descrição da minha cidade, haha.

    Adorei a história - e a foto - do aqueduto! Fiquei curiosa com o negócio das estátuas! Quer dizer que elas causam esse impacto, de parecer real, ao vivo? Interessante!

    Muito bonitas as fotos de Pompéia e de Herculaneum! E a pizza, haha! Parece apetitosa (mesmo eu não curtindo muuito molho)! Mas a textura, pela foto, parece diferente já - as bordas tão parecendo diferente, na verdade!

    Há, o comer do filme é na Itália! Arranje um verbo para cada país e você tem sua versão do filme - com um título muito mais longo do que o original, haha.

    O próximo destino já é Roma? Estou ansiosa para saber suas impressões sobre a cidade eterna! ^^

    Beijos! Uma boa semana para minha mochileira favorita! :)

    ResponderExcluir