Era uma vez uma Isabel toda felizinha, curtindo a vida adoidado e sem nenhuma preocupação na vida. Aí ela pega um metrô pro aeroporto e TUDO desanda. Porque o metrô está lotado e de repente Isabel é empurrada para fora do vagão, naquele esquema bem Sé no horário de pico. Só que uma das bolsas da pessoa fica presa no meio da multidão, a porta fecha e o trem vai embora, levando passaporte, cartões de crédito, dinheiro e toda a felicidade de Isabel. Reação imediata (depois de checar 400 vezes que a bolsa não está mesmo comigo, mesmo tendo sentido ela ser puxada para dentro do vagão enquanto eu era empurrada na direção oposta): correr até a cabine do funcionário do metrô e implorar para ele fazer alguma coisa. Nikos, o funcionário, depois de me dar uma bronca por não tomar cuidado com as minhas coisas (e não adiantou falar que eu tomo cuidado, que o problema foi a força incontrolável da turba raivosa que habita o metrô ateniense...), liga pra mil e uma estações e monta toda uma operação de guerra pra achar minha maldita bolsa. Mais de uma hora depois e nada, e eu já cogitando me matar, voltar a nado pro Brasil ou sei lá. Como última tentativa do desespero, já pegando o endereço da embaixada do Brasil e me preparando para tentar começar a tomar atitudes práticas, eu peço para ligar pro meu celular (que, sei lá por qual milagre divino, estava carregado e ligado!). E não é que alguém atende? Nikos, a essa altura já meu novo melhor amigo para sempre, fala com a pessoa. Era um policial, dizendo que uma moça achou minha bolsa e levou para uma delegacia. E Isabel corre para tal delegacia (não sem antes trocar facebooks com Nikos e encher ele de thank you's e abraços) e, WHAT ARE THE ODDS?, minha bolsa está lá, completíssima, do meu passaporte ao último centavo na minha carteira, das pinças que eu comprei hoje de manhã ao meu guarda-chuva. Não sei o que foi, pulseirinha dos monges tibetanos, o pé de São Pedro, meu anjo da guarda ou sei lá, mas alguma coisa está funcionando e me protegendo, porque vai ter sorte assim na China...
Aí, de volta ao metrô (a essa altura já mais vazio, ainda bem), eu venho pro aeroporto (óbvio que eu perdi meu vôo com todas essas peripécias acima). Próximo vôo para Viena só amanhã de manhã (e eu tive que comprar outro bilhete, bem carinho, porque o meu era promocional e não pode ser mudado de data :/) e eu estou revoltada e resolvi que não vou voltar para Atenas, logo estou dando uma de Tom Hanks e morando no aeroporto (só mais 8 horas to go!). E tem uma diária do albergue em Viena sendo debitada do meu cartão porque eu não apareci, e estou morrendo de medo deles cancelarem a reserva de amanhã também. E eu estou com uma vontade louca de chorar e tudo que eu queria era um colo e um cafuné e alguém tomando decisões por mim e cuidando de mim (ou seja, eu quero minha mãe!)... Mas como essa não é uma opção válida (e o mundo está conspirando para que eu nem consiga falar com ela, porque não consigo acessar a rede wifi grátis do aeroporto para ligar do skype e não consigo nem fazer ligações do orelhão - e ainda gastei dinheiro a toa comprando um cartão para isso!), estou aqui desabafando no wordpad. E agora meu estômago dói, porque ele não consegue lidar com tanto estresse como o que passei hoje, e eu estou sem nada para comer, o que significa que terei que apelar para algum dos fast foods do aeroporto, o que me leva a um ciclo de ainda mais dor. Enfim. QUE MERDA DE DIA. (E olha que tinha começado tão bem...)