sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2010 - Uma retrospectiva musical

Li o post de retrospectiva da Gabi e fiquei tentada a fazer a minha própria. Mas resolvi fazer de um jeito diferente...

Música é algo fundamental na minha vida. Apesar de eu ser uma negação no que se refere a talentos musicais, eu não consigo viver sem uma trilha sonora constante, meu iPod é item de sobrevivência. Cada momento, cada pessoa importante, tem sua música. Logo, nada mais justo do que fazer uma retrospectiva do meu ano com as dez músicas que o mais marcaram. São músicas que não necessariamente correspondem ao meu gosto habitual, mas que, por uma razão ou outra acabaram ficando ligadas a memórias especiais e que por isso tem um lugarzinho garantido no meu coraçãozinho...

I'm Doing Everything (For You) - The Rocket Summer: foi eleita minha música oficial do verão passado, sem nenhuma razão muito específica. A letra é bonitinha, a voz do cantor é gostosa e o ritmo é tão upbeat que eu não consigo ficar de mal humor ouvindo essa música. Sempre me dá vontade de cantar e dançar junto.

Meteoro - Luan Santana - música do carnaval e de tantas cervejadas... Fica para representar o gênero sertanejo, que se infiltrou em várias lembranças felizes da minha vida.

La Tortura - Shakira feat. Alejandro Sanz: Primeiro, vocês precisam aprender que a Shakira é meu alter-ego secreto. Segundo, essa música me lembra de dias sob as Arcadas, planos de substituir seminários por danças (e o bonitor fazendo cosplay de Alejandro Sanz - só na minha imaginação, infelizmente), festinhas dançando loucamente com a galerë...

Can't Stand It - Nevershoutnever!: uma certa Pate Patrícia me apresentou essa música e depois disso meu mundo nunca mais foi o mesmo. Ficou no repeat one para sempre, virou toque do meu celular... Super fucking cute.

You've Got A Friend In Me - Toy Story: em homenagem a trocas sem fim de emails, confissões, fofocas, jogos de perguntas, conselhos... Porque esse ano significou um aprofundamento quase inimaginável da minha amizade com certas duas marotas :)

Gitana/Gipsy - Shakira: indisputavelmente, a música tema da minha viagem. Fala por si própria.



Summer Nights - Grease: por incrível que pareça, apesar de também trazer recordações de summer nights de verdade, me lembra mais de esquentas num albergue em Roma, de uma noite de neve e um dueto em pub alemão ou da pista de oldies da balada de Praga. Vários momentos divertidos e inusitados...

Angels - Robbie Williams/ The Baseballs: droga, essa eu não posso explicar. É uma piada interna minha comigo mesma.

Shine A Light - McFly: me lembra tardes nubladas andando por cidades aleatórias em países com línguas impossíveis. Sempre traz um calorzinho no coração, não sei porque. Um pouco de luz e esperança quando eu me sentia sozinha e perdida.

Walking In A Winter Wonderland: representando todas as músicas natalinas que me acompanharam pelo último mês, desde os mercados de natal da Alemanha até a Winter Wonderland do Hyde Park. Símbolos do meu primeiro inverno de verdade, neve por todos os lados, chocolates quentes, 15 camadas de roupa, pés congelando...

Ok, provavelmente isso não foi muito interessante para ninguém além de mim, mas eu me diverti lembrando e escolhendo as músicas.

Feliz 20XI!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Natal + Viena

E aí, galera, como foram de natal? O meu foi bem tranquilinho, passei aqui na casa da minha amiga em Madrid. Só estávamos nós duas, a mãe dela, o padastro dela e o filho dele. Comemos peru, torta de queijo e batatas fritas (ah, tinha também camarões... mas eu não como coisas do mar!). De sobremesa, cerejas e torta de chocolate da Ikea (essa torta é simplesmente mágica!). Depois de comer, um brinde com sidra (afinal, eso es España!). Jogamos ping pong e algumas partidas de culo (um jogo de baralho) ao lado da lareira. Não teve neve :/ No dia 25 propriamente dito, fomos patinar no gelo de manhã, almoçamos os restos mortais da ceia e eu e Sô passamos o dia assistindo tv, jogando buraco e dormindo... Pra fazer algo beeeem diferente do que a gente tem feito nos outros dias, haha.


Bem, agora resolvi falar sobre Viena. Passei pouco tempo lá, nem 3 dias inteiros, então não deu tempo de ver tudo... Minha visão geral é de uma cidade altamente aristocrática, cheia de pompa e circunstância. Não tem aquela profusão de detalhes da Itália, os prédios são bem clássicos, de uma beleza sóbria.

Hofburg

alguma rua com um monumento que eu não lembro qual é :D




São muitos, muitos museus. Eu acabei escolhendo ir ao Belvedere, que tem uma coleção incrível de Klimts (incluindo O Beijo), e o Albertina, que tem um acervo tão grande que eles só mostram uma pequena parte dele de cada vez, em exposições temáticas temporárias. Na ocasião da minha visita, as exposições eram sobre desenhos e estudos do Michelangelo, Picasso: Paz e Guerra (com pinturas com conotações políticas do Picasso) e William Kentridge, um artista sul africano que faz principalmente curta-metragens. Todas muito, muito boas. O Belvedere também é lindo, além da coleção em si o próprio museu é um palácio do século XVII e está cercado por lindos jardins.

Upper Belvedere


Jardins e Lower Belvedere

Outro rolê (altamente alternativo, porém interessante) é visitar o cemitério central, Zentralfriedhof. Os austríacos levam muito a sério esse negócio de "última morada", então tem túmulos realmente majestosos. Mas o principal chamariz são os túmulos de compositores famosos. Ninguém menos do que Beethoven está enterrado lá, entre outros (como Schubert, Strauss...). Mozart está em outro cemitério de Viena, mas tem um monumento no Zentralfriedhof. Eu cheguei no cemitério já era umas 3 da tarde e depois de muito, muito andar ouvindo todos aqueles corvos crocitando (tenho até um vídeo do corvos!), encontrei a parte das pessoas "famosas". Mas não tinha ninguém que eu conhecia e eu continuei vagando, até que começou a escurecer. Aí eu decidi que ficar num cemitério gelado no escuro não era bem minha idéia de uma noite divertida e fui perguntar para alguém onde Beethoven estava. Eis que a primeira pessoa que eu encontro é esse oriental com um mapa. Eu pergunto e ele diz que também não está encontrando, então voltamos os dois para o portão para perguntar para o guarda. Claro que nenhum de nós falava alemão, mas de algum jeito  rolou a comunicação necessária. Só que nisso faltava só 15 minutos para o cemitério fechar, então eu e o meu novo amigo (de Hong Kong!) saímos correndo pelo cemitério até encontrar Beethoven. Um dos momentos mais surreais da minha viagem, sem dúvida.




Outro passeio que vale muito a pena: dá para assistir uma ópera na Staatsoper por algo entre 2 e 5 euros, dependendo do dia. Como assim? Ok, você tem que ficar de pé durante a peça toda, mas vale a pena, tem orquestra ao vivo, cantores bons, a produção toda caprichada. Viena é a cidade da música, você tem que assistir uma ópera! E só entrar na Staatsoper já vale o preço, mesmo que você não fique a peça inteira, porque o próprio prédio é bonito.

por fora...


...e por dentro da Staatsoper.

Foi na ópera que eu tive minha primeira - e ufa!, única - experiência de alguém brigando comigo em alemão. Garanto que não é uma boa sensação, alemão parece ter sido especificamente para gritar com os outros... Um coreano maldito achou que eu tinha roubado o lugar dele e veio tirar satisfação comigo, até que a mocinha (estou sendo gentil. Na verdade ela parecia a Cássia Eller!) que trabalhava na ópera veio me salvar e mostrar que eu não estava no lugar dele. (Apesar de você ficar de pé, as pessoas tem lugares definidos e uma telinha com legendas em inglês ou alemão, a sua escolha, para você acompanhar a música).

Acho que esses foram os pontos altos da minha visita à Viena (além de assistir Harry Potter and the Deathly Hallows, é claro! :D). Agora voltarei ao meu ócio deliciosamente nada produtivo... Adeus!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Praga

Eu falei que estava escrevendo o post sobre a Alemanha... mas mudei de idéia. Vamos falar sobre Praga!

Todo mundo sempre me pergunta qual é a minha cidade favorita. Não consigo definir uma só, mas Praga definitivamente está entre as principais candidatas. Por quê? Porque ela tem tudo! História, vida noturna, culinária, cervejas ótimas... E ainda é muito barata! Claro que aquele dinheiro maldito me confundia totalmente (1 euro = 26 kC - coroas tchecas) e que a língua é ininteligível, mas são coisas que você consegue relevar considerando todo o resto.

Pra começar, uma das atrações mais famosas de Praga é o relógio astronômico, na praça principal.

Ele indica quatro tipos de tempo diferente. Vou ser sincera e dizer que não lembro exatamente o que eles significam, se quiserem joguem no google, haha. De hora em hora, as janelinhas no alto do relógio abrem e os  apóstolos "desfilam" por elas. Ao mesmo tempo, um esqueleto do lado do relógio bate um sininho, lembrando que todos vamos morrer. Dos lados do relógio, há estátuas mostrando virtudes e pecados (e sempre a mensagem de que VAMOS MORRER). No fim, um cara toca corneta do alto da torre.

A praça principal, aliás. é cheia de construções históricas e lindas. Por sorte, Praga não sofreu muitos bombardeios durante as guerras mundiais.





Mas o coração de Praga é o castelo. Na verdade, ele é formado por um monte de construções forticadas que foram sendo construídas ao longo dos séculos. No centro, está a Catedral de S. Vitus, uma das catedrais góticas mais lindas que eu vi nessa viagem. No dia em que eu estive lá, o sol deu o ar de sua graça por uns 5 segundos, criando reflexos dos vitrais coloridos nas paredes e chão da igreja... Lindo demais.



De resto, o castelo tem também um museu mostrando toda a sua construção, desde o primeiro assentamento de origem românica; tem os aposentos reais (que não são nada de muito especial, porque boa parte dos quartos pegou fogo em algum momento da história); também tem mais algumas igrejas. Enfim, prato cheio para quem curte história e arte (eu! eu!). 

E além de tudo, a vista do castelo é linda!

Para passar da praça ao castelo ou vice-versa, você tem que atravessar o rio Vltava. E a ponte mais bonita para isso é a Charles Bridge (favor não me perguntar o nome em tcheco, me vocabulário se restringe a xavecar pessoas de olhos azuis e a me despedir), cheia de estátuas, de músicos de rua e de gente, de modo geral.



Mas não é só isso! Não falei que a vida noturna também bombava? Bem do lado da Charles Bridge fica a maior balada da Europa Central, com cinco andares, cada um tocando um estilo diferente de música. Ponto alto para o "cubo mágico", com luzes e espelhos que fazem você achar que está num mundo meio Lucy In The Sky With Diamonds.





Também fui em outra balada, Roxy, de eletrônica mais "hardcore", mas como era uma segunda-feira estava meio/totalmente miada. E eu gostei mesmo foi da balada de 5 andares, das minhas 5 noites em Praga eu fui lá em 3! Nada como poder trocar de estilo de música o tempo todo (além disso, tinha uma pista de oldies, que tocava Macarena e Grease, como não amar?)

Pra fechar, eu fiz uma day trip até Kutná Hora. O ponto alto é o ossuário... Eu achava que eu tinha um gosto meio tétrico, mas tem gente que ganha de longe!



A cidade é toda medievalzinha e bonitinha, com igrejas bonitas também. Vale a viagem.



THE END

PS: Muita foto e pouco texto porque eu estou com sono e não consigo raciocinar direito, mas o pub que funciona embaixo do albergue está bombando e eu não consigo dormir com a música alta. (Eu só perdôo porque eles estão tocando só músicas que eu gosto. De Barbie Girl a Penny Lane, passando por Bruce Springsteen, Johnny Cash e Oasis, além de Boom Boom Boom I Want You In My Room, quer dizer.)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Mercados & Bonecos

Hoje comecei o dia no Portobello Road Market, em Notting Hill. Ele tem principalmente antiguidades, mas também barracas de comida (tanto para comer na hora quanto barraquinhas de feira mesmo, com vegetais, frutas e carnes) e de artesanato. Achei bem legal, maaaas meio caro. Assim, pode ser que para o tipo de coisas que estão à venda lá, seja barato, mas são objetos que estão fora dos meus planos comprar no momento. Tem jóias e bijuterias antigas, relógios, móveis, prataria, vinis... Eu não fiquei muito tempo zanzando por lá porque começou a nevar muito, mas MUITO, e vários dos vendedores começaram a desmontar as barracas e tudo. Achei melhor sair de lá antes que o metrô fechasse de vez (decisão que se mostrou acertada, porque depois realmente interromperam uma das linhas que passa pela estação de Notting Hill e as outras duas só passavam a MASSIVE, MASSIVE intervals - nas palavras do próprio operador do metrô). Claro que o rolê não deixou de incluir uma passadinha na Hummingbird. Hoje, além do red velvet, comprei cupcakes de vanilla, mas eles não são tão bons :/




Aproveitando a deixa de mercados, vou falar do Camden Town Market, que eu visitei semana passada. Esse sim eu amei, vou até voltar lá amanhã! Depois de muito pensar em uma definição, concluí que é algo tipo uma Galeria do Rock feat. Liberdade, on drugs. Tem de tudo lá. Brechós, artesanato, souvenirs, moda rock, comida de todos os lugares possíveis e imagináveis (até barraquinhas de brasileiros vendendo guaraná!), o que você quiser. E barato. Dá pra descolar jaquetas de couro por 10 libras, pra ter uma idéia. Puro amor! 



Depois fui ao Madame Tusseaud, o museu de cera. É bem caro para entrar, só que eu acho que compensa. Eu pelo menos me diverti muito tirando fotos com todo mundo! No final, tem a parte "assustadora", que eu achei bem fraquinha, e um momento Disney, com um passeio de carrinho mostrando o "Espírito de Londres", bem gracinha. Na saída tinha também uma exposição da Marvel, com um filme 4D (mais Disney feelings), que eu achei divertidinho. 

Aproveitando que o Madame Tusseaud fica do lado da Baker Street, eu dei um pulinho no museu do Sherlock Holmes. Meio inútil, pra falar a verdade, mas o meu lado fã nunca iria me perdoar se eu não entrasse no 221b. É uma casa decorada com estilo vitoriano, como se Holmes e Watson morassem lá. Interessante pela recriação da época (e a casa realmente era um prédio de apartamentos alugados no século XIX, então tem um toque de autenticidade).


E por hoje é só. Vou tentar sair para aproveitar a náiti londrina, se a neve assim o permitir. Beijocas.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Turisteando por Londres

Deixando um pouco de lado minha crise (não vou tomar decisão nenhuma quanto a voltar até estar descansada e feliz com minha quase família em Madrid, não quero me precipitar e me arrepender depois), vou contar um pouco do que eu tenho feito nesses últimos dias.

Terça eu passeei por Greenwich, já que meu hostel ficava lá. Apesar de ser parte da Grande Londres e ser facilmente acessível por trens e até por DLR (uma continuação não subterrânea do metrô), o clima é bem de cidade pequena, bem tranquila e bonitinha. Tem um parque maravilhoso (adoro os parques ingleses, já falei isso?), o Museu Marítimo (não achei tão legal porque não me interesso muito nem pelas explicações da parte física de "como se formam as ondas" e coisas assim, e nem muito por barcos em geral... mas é super bem montado e interativo, crianças devem se divertir lá.), o Observatório de Greenwich (com uma linha mostrando o Meridiano que divide os hemisférios, além de astrolábios, telescópios, etc. - ok, admito, a parte mais divertida mesmo foi ficar com um pé em cada hemisfério, a parte museu foi só para dar aquele verniz de cultura, haha.), e os antigos palácios, que hoje abrigam faculdades e coisas assim. Tem também um navio antigo, mas ele está sendo restaurado e eu não pude vê-lo. 

Quarta eu não sai do albergue para nada além de arranjar comida para o jantar, então não tenho nada para contar.

Ontem eu fui ao Victoria & Albert Museum. Sensacional. Ele é focado em arte e design e tem de TUDO, mas TUDO mesmo, de todos os lugares. A prova de que minha mania de guardar tralhas pode ser importante algum dia (embora eu duvide muito que minhas coleções possam se comparar aos objetos maravilhosos que as pessoas ricas do século XIX colecionavam). Me diverti muito na parte que tem modelos de gesso de estátuas italianas, porque eu conheci várias delas pessoalmente e fiquei tentando adivinhar de onde. "Hm... Você é de Siena, não? Ah, não, batistério de Pisa. Droga, quase!" "Há, Santa Croce em Florença, CERTEZA." A parte asiática também é incrível. Aliás, o museu todo é incrível! E a lojinha, ah... Eu sou louca por lojas de museu, e a do V&A em especial me encantou. Sorte que eu não tinha dinheiro nenhum para gastar lá, porque se não certamente teria gasto!

Hoje foi um dia cheio. Quando eu acordei estava chovendo, depois começou a nevar... Mas na hora do almoço, DO NADA, abriu um céu azul lindo e fez sol o resto do dia. Vai entender! Aproveitei o tempo bom para fazer uma caminhada ao longo do Tâmisa (pontos altos: Millenium Bridge, Tower Bridge, Globe Theater). Depois fui até o norte de Londres visitar a faixa de pedestres mais famosa do mundo :) Foto tirada (embora não tenha ficado tão boa quanto eu queria, porque eu tive que pedir para uma menina X tirar para mim e ela não se esforçou muito - e depois eu pedi para outra menina com menos boa vontade ainda. Então, fica a dica, levem seu próprio fotógrafo quando vocês forem para Abbey Road). Voltando, eu me perdi na saída do metrô e fui parar no Borough Market, o que eu achei ótimo, porque queria mesmo ir lá... É um mercado de comidas mesmo, tem queijos, vegetais, temperos, carnes, peixes, enfim, tudo. Muito legal. Aï eu consegui me localizar e fui à Tate Modern. Não é dos meus museus preferidos, eu tenho problemas com arte moderna. Mas achei o prédio lindo, se conta pra alguma coisa, haha.

And that's all for today, folks.

PS: Eu ia colocar fotos, mas o servidor do blogger não está colaborando, sorry.

PS 2: Gabi, não achei intromissão o comentário! Você é minha amiga e eu postei esses dramas todos para que eu pudesse ouvir conselhos dos meus amigos... Obrigada pelo apoio. Como eu disse no começo do post, não vou tomar nenhuma decisão até estar mais reequilibrada em Madrid, então não se preocupe. E só a expectativa de passar as festas com gente que eu gosto já está me deixando mais animadinha :) Saudades de você, querida!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A crise, parte II: Evolução

Ok, depois daquele post sobre minha crise eu tive mais de 24 horas de choro constante, ligações angustiadas para minha mãe e conversas com  duas das pessoas que melhor me conhecem no mundo. Cheguei a algumas decisões: me demiti (é, com um só dia de trabalho - vocês não têm noção do senso de isolamento que eu senti durante aquelas horas no restaurante, com todo mundo falando em árabe e não fazendo a menor questão de tentar se comunicar comigo...) e resolvi ir passar o natal e o ano novo na Espanha, junto de pessoas que são praticamente uma família para mim. Um pouco de amor e companhia e uma casa de verdade são tudo que eu preciso agora, eu acho.
Estou até cogitando a idéia de voltar mais cedo para o Brasil... Talvez eu me arrependa de não ficar o máximo de tempo possível, mas se for para ter crises tão terríveis de solidão e saudades, do que adianta me forçar a ficar aqui? Mas não sei, não me decidi ainda. Quem sabe depois de descansar bastante na casa da Sô minhas baterias se recarreguem para mais um mês e pouco de viagem. Tenho certeza de que muito do que eu estou sentindo é pura exaustão. Para vocês terem idéia, desde que eu saí da Grécia eu não tinha conseguido ler nenhum livro. Nada. Nunca antes na história desse país (desde que eu fui alfabetizada, pelo menos). eu tinha ficado tanto tempo sem tocar em um livro. E olha que não faltaram longas viagens de trem nesse período! Eu simplesmente não conseguia juntas a energia mental necessária para ler... Isso diz muito sobre as minhas atuais condições psicológicas.
Resumindo, esperarei para ver o que 2011 me traz de energias para continuar antes de decidir qualquer coisa. 

PS: Antes que alguém venha com aqueles comentários de "VOCÊ ESTÁ LOUCA? VOCÊ ESTÁ NA EUROPA!", etc, etc, entendam que faz 5 meses que eu estou longe de casa. Nesses 5 meses, durante a maior parte do tempo, eu estive sozinha, tendo que planejar cada passo, decidir cada detalhe, medir cada consequência... Enfim, ser gente grande e tomar todas as decisões. E eu cansei disso. Não vejo a hora de poder voltar a ter minha casinha me esperando no fim de cada dia, com comida na mesa, cama confortável, mãe me mimando e tudo mais. Ser adulta e responsável o tempo todo não é tão divertido e eu estou cansada e quero poder ser jovem e despreocupada enquanto eu  ainda posso. Não me julguem, ok? Isso aqui não é um mar de rosas o tempo todo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Crise nossa de cada dia

O que, 2 postagens em menos de 24 horas? Pois é, amiguinhos, é o começo de uma nova era nesse blog. (Ou não, vejamos até quando essa minha disposição dura.)

O fato é que eu estava no trem voltando da minha primeira noite trabalhando como garçonete em um restaurante iraquiano, onde eu sou a única pessoa que não fala árabe, e aí eu tive um daqueles momentos em que você se pergunta "WHAT THE HELL eu estou fazendo com a minha vida?". Eu sou a primeira pessoa a defender que viajar é a melhor coisa do mundo e que novas experiências são sempre válidas, mas sei lá. Tem horas que eu sou obrigada a pensar que ter casa, comida e roupa lavada são tudo de bom no mundo e que tudo que eu queria era um colinho de mãe e um rolê com os melhores amigos, sem maiores preocupações na vida. Mas, não, eu estou sozinha num país estranho, morrendo de frio, quase sem dinheiro, trabalhando num lugar nada a ver e voltando para casa às 11 da noite...

Ah, nem sei o que estou falando. Estou cansada e meio deprimida. No fim, eu vou achar tudo isso muito divertido, mas nesse exato instante, estou um pouco desiludida. Provavelmente amanhã de manhã estarei feliz de novo (estou em Londres, afinal. Sonhei minha vida toda com essa cidade!). e se não estiver, eu compro outro cupcake na Hummingbird e aí não há depressão que resista, certo?

Boa noite, amorecos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sobre restaurantes, Alexandre-O-Grande, cupcakes e Billy Elliot

Para equilibrar um pouco o karma desse blog depois de tê-lo deixado tanto tempo com aquele último post do meu fatídico último dia em Atenas, vou contar do meu dia de hoje, porque hoje foi um daqueles dias em que as coisas dão certo sem você saber como.

Pra falar a verdade, o começo não foi dos melhores. Acordei e telefonei para essa agência de recrutamento de garçonetes para trabalhar em hotéis que um casal de brasileiros que eu conheci em Berlim me indicou. A mulher me fez ir até lá para dizer que eles não tem vagas no momento, mas que eles ligam quando aparecer alguma coisa, obrigada por nos escolher. Saí de lá meio deprimida (já falei que eu não lido bem com rejeição, né?) e comecei andar sem lenço nem documento no fog de pleno dezembro até que eu dou de cara com esse restaurante com um anúncio de "precisa-se de garçonete". Resolvi que não custava tentar e 5 minutos depois, saí de lá com um emprego! Quer dizer, essa semana vai de ser de experiência. Se todo mundo - meu boss e eu - estiver feliz com a situação, eu continuo.

Aí eu resolvi sair de lá e me divertir no British Museum. Muita filhadaputice o que os ingleses fizeram roubando os tesouros arqueológicos do mundo inteiro, mas temos que reconhecer que ISSO SIM QUE É MUSEU! Como eu tenho sérios problemas e sou totalmente incapaz de ver um museu de modo rápido e direto, passei 4 horas lá para "só" ver a parte dos egípcios, assírios e gregos/romanos. De verdade, não canso de ver esculturas greco-romanas, eu já deveria ter tido uma overdose a essa altura! (Nessa parte que entra o Alexandre, O Grande, que eu coloquei no título pra representar a cultura helênica só pra ficar mais cool.)

Saindo do museu minhas lombrigas começaram a implorar por um red velvet cupcake e eu embarquei numa missão de ir até a Hummingbird Bakery em Notting Hill só por isso. Fazia dois meses que eu queria um cupcake, não me julguem! Valeu a pena de qualquer jeito, porque o cupcake é uma delícia (eu só comi ele agora, para falar a verdade. Sabe quando você quer tanto a coisa que você acaba não fazendo só para que a coisa nunca acabe? Eu estava assim, namorando a caixinha a tarde toda...) e Notting Hill é muito, muito bonitinha, preciso voltar lá no dia que tiver o mercado da Portobello Road.

Hummingbird Bakery - o paraíso dos cupcakes :)


Nisso eu resolvi aproveitar minha onda de boa sorte e tentar trocar meu ingresso para assistir Billy Elliot. Eu tinha comprado o ingresso no sábado para amanhã, mas amanhã eu estarei trabalhando... Não tinha como falar para o cara que está fazendo o favor de me contratar que eu não posso começar logo porque quero ir assistir um musical, né? E não é que, contra todas as chances, eu consegui trocar meu ticket? Pra falar a verdade, eu esperava um pouco mais do musical. Tem umas 3 cenas que eu realmente amei, mas o resto foi só normalzinho. E eu acabei sentada no meio de um grupo de jovens espanhóis MUITO malas que não paravam de falar, só porque eles não entendiam nada do que os atores falavam ou cantavam (reconheço que estava tenso com aquele sotaque de working class do norte da Inglaterra). Mas, ok, é legal.


E esse foi meu glorioso dia de hoje :) Meu post sobre a Alemanha está quase pronto (não vou fazer os países em ordem, porque essa bagunça é minha e eu faço como quiser!) e agora eu pretendo fazer mais posts desse tipo diário (era o que eu pretendia fazer o tempo todo, mas o cansaço imperou e me impediu), então esperem atualizações mais frequentes.

XXX

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

VDM

Era uma vez uma Isabel toda felizinha, curtindo a vida adoidado e sem nenhuma preocupação na vida. Aí ela pega um metrô pro aeroporto e TUDO desanda. Porque o metrô está lotado e de repente Isabel é empurrada para fora do vagão, naquele esquema bem Sé no horário de pico. Só que uma das bolsas da pessoa fica presa no meio da multidão, a porta fecha e o trem vai embora, levando passaporte, cartões de crédito, dinheiro e toda a felicidade de Isabel. Reação imediata (depois de checar 400 vezes que a bolsa não está mesmo comigo, mesmo tendo sentido ela ser puxada para dentro do vagão enquanto eu era empurrada na direção oposta): correr até a cabine do funcionário do metrô e implorar para ele fazer alguma coisa. Nikos, o funcionário, depois de me dar uma bronca por não tomar cuidado com as minhas coisas (e não adiantou falar que eu tomo cuidado, que o problema foi a força incontrolável da turba raivosa que habita o metrô ateniense...), liga pra mil e uma estações e monta toda uma operação de guerra pra achar minha maldita bolsa. Mais de uma hora depois e nada, e eu já cogitando me matar, voltar a nado pro Brasil ou sei lá. Como última tentativa do desespero, já pegando o endereço da embaixada do Brasil e me preparando para tentar começar a tomar atitudes práticas, eu peço para ligar pro meu celular (que, sei lá por qual milagre divino, estava carregado e ligado!). E não é que alguém atende? Nikos, a essa altura já meu novo melhor amigo para sempre, fala com a pessoa. Era um policial, dizendo que uma moça achou minha bolsa e levou para uma delegacia. E Isabel corre para tal delegacia (não sem antes trocar facebooks com Nikos e encher ele de thank you's e abraços) e, WHAT ARE THE ODDS?, minha bolsa está lá, completíssima, do meu passaporte ao último centavo na minha carteira, das pinças que eu comprei hoje de manhã ao meu guarda-chuva. Não sei o que foi, pulseirinha dos monges tibetanos, o pé de São Pedro, meu anjo da guarda ou sei lá, mas alguma coisa está funcionando e me protegendo, porque vai ter sorte assim na China...
Aí, de volta ao metrô (a essa altura já mais vazio, ainda bem), eu venho pro aeroporto (óbvio que eu perdi meu vôo com todas essas peripécias acima). Próximo vôo para Viena só amanhã de manhã (e eu tive que comprar outro bilhete, bem carinho, porque o meu era promocional e não pode ser mudado de data :/) e eu estou revoltada e resolvi que não vou voltar para Atenas, logo estou dando uma de Tom Hanks e morando no aeroporto (só mais 8 horas to go!). E tem uma diária do albergue em Viena sendo debitada do meu cartão porque eu não apareci, e estou morrendo de medo deles cancelarem a reserva de amanhã também. E eu estou com uma vontade louca de chorar e tudo que eu queria era um colo e um cafuné e alguém tomando decisões por mim e cuidando de mim (ou seja, eu quero minha mãe!)... Mas como essa não é uma opção válida (e o mundo está conspirando para que eu nem consiga falar com ela, porque não consigo acessar a rede wifi grátis do aeroporto para ligar do skype e não consigo nem fazer ligações do orelhão - e ainda gastei dinheiro a toa comprando um cartão para isso!), estou aqui desabafando no wordpad. E agora meu estômago dói, porque ele não consegue lidar com tanto estresse como o que passei hoje, e eu estou sem nada para comer, o que significa que terei que apelar para algum dos fast foods do aeroporto, o que me leva a um ciclo de ainda mais dor. Enfim. QUE MERDA DE DIA. (E olha que tinha começado tão bem...)

domingo, 7 de novembro de 2010

Costa Amalfitana

Descuuulpa, galerinha, estava meio cansada de postar nesses últimos tempos, mas prometo que vou tentar ser mais assídua. Então, pra começar a recuperar o tempo perdido, apresento-vos a COSTA AMALFITANA!

Fiquei em albergues em Salerno e Sorrento, cada uma em uma das pontas da Costa Amalfitana propriamente dita, que é formada por um sem número de cidadezinhas pequeninhas e graciosas incrustadas num litoral cheio de montanhas e rochedos, com um mar verde água maravilhoso! Fiz uma day-trip por Amalfi e Positano, as cidades mais famosas, mas tem várias outras. O melhor jeito pra visitar essa região é, com certeza, com um carro próprio, pra poder parar em cada curva para apreciar as paisagens espetaculares, visitar os restaurantezinhos, descer nas grutas... Mas, eu, pobre mochileira que sou, estava de ônibus e tive que me contentar com o que pude ver pela janela. Não dei muita sorte com o tempo esses dias, estava chovendo, então nada de praia, só andei sem rumo, tomei gelatos e doces de limão (vale mencionar que a Costa Amalfitana é famosa pelos seus limões e derivados - Limoncello, essência, sabonetes...) e absorvi a beleza dos arredores, de modo geral. O Duomo de Amalfi é bem gracinha, tem toques árabes, especialmente no claustro, vale pagar pra entrar e conhecer.


Amalfi

Claustro do Duomo de Amalfi

paisagem X

Positano

delizia di limone! <3 

Sorrento e Salerno são cidades um pouquinho maiores, de praia, charmosinhas. Não tem nada muito especial para mencionar sobre nenhuma delas. Já era baixa temporada e os albergues estavam vazios, então não tinha muita vida social... Foi uma semana de descanso: comi e dormi praticamente o tempo todo! (O que foi ótimo, diga-se de passagem. Viajar pode ser exaustivo às vezes.)

Salerno


Sorrento

Logo - prometo - Roma e Toscana - parte II. E depois, GRÉCIA!

XOXO



terça-feira, 19 de outubro de 2010

Livros

Nesses últimos 3 meses eu li nada menos do que 13 livros (o que provavelmente é mais do que eu li no resto do ano inteiro... é isso que dá passar tanto tempo em rodoviárias, estações de trem e semelhantes) e eu resolvi compartilhar um pouco deles com vocês, porque alguns deles foram gratas surpresas pelo caminho (lembrando que eu estou, principalmente, brincando de Book Exchange - você deixa um livro no hostel e pega outro, que alguém deixou - o que restringe bastante minhas escolhas devido a razões como língua - POR QUE TANTOS LIVROS EM SUECO, SÉRIO?).

1) Contos completos de Oscar Wilde: ah, ele é maravilhoso, não? Meu conto preferido é O Rouxinol e a Rosa :) Mas todos são ótimos, acho incrível a capacidade de descrever 'beleza' que Wilde tem, eu sempre termino as história com essas imagens mentais de castelos ou cidades ou jardins quase perfeitos demais para algum dia poderem existir (eu li esse livro enquanto eu viajava pela Espanha, então minha imaginação acabou bem influenciada por lugares como a Alhambra ou o Álcazar...). Recomendo 100%.

2) Adeus às Armas, Hemingway: eu gosto do jeito do Hemingway de escrever, tão preciso e exato. E ele mostra a guerra tão cruamente, sem nenhum glamour, sem muita romantização. Mas, não sei, não me marcou muito. Achei o final um pouco desapontante, terminei de ler e fiquei com aquela cara de "é isso?". Mas talvez esse fosse o ponto que ele queria demonstrar. Hm. Mas certamente, leitura válida.

3) Leite Derramado, Chico Buarque: a mãe da minha amiga que me emprestou esse. Sensacional! Um velhor senhor, de uma família tradicional e poderosa, conta sua história do leito de hospital em que passa seus últimos dias de vida. Entre confusões da memória e repetições, temos um retrato não só de sua biografia, como de boa parte da história do Brasil. E o Chico é sempre o Chico. Ele sabe brincar com palavras...

4) A Ciência Médica de House, Andrew Holtz: haha, pequena indulgência minha ao futricar os livros da minha amiga que é fanática por House. Não acrescenta nada de muito novo. Médicos do mundo real não podem tratar os pacientes tão mal, AH VAH.

5) The Hakawati, Rabih Alameddine: engraçado, ainda não tem tradução para o Brasil, mas em Portugal já tem, como O Contador de Histórias. Esse foi um dos livros que eu peguei não esperando nada, mas que me surpreendeu. Algo como uma mistura de As Mil e Uma Noites e, sei lá, Peixe Grande do Tim Burton. Ao mesmo tempo em que acompanhamos a história da família Al-Kharrat, em especial do avô, contador de histórias profissional, há uma série de contos dentro de contos, baseados principalmente na cultura árabe, e ainda um plano de fundo político, abarcando a Guerra do Líbano. Não consegui largar o livro por nada, tem tudo que uma bos história precisa: aventura, romance, drama, comédia. Fiquem de olho para quando sair no Brasil!

6) A Princesa de Gelo, Camilla Läckberg: falando em livros suecos... Essa é uma famosa autora sueca de livros policiais, que está se tornando mais conhecida por causa da atenção que a trilogia Millenium atraiu para a Suécia. É um bom passatempo, daqueles bem inofensivos. Nada de muito impressionante. A trama é interessante e segura o ritmo a maior parte do tempo, embora os momentos "Bridget Jones" da protagonista às vezes cansem. Na falta de algo melhor para ler, não vai trazer nenhum grande trauma para a vida de ninguém.

7) O Diamante de Jerusalém, Noah Gordon: eu tinha lido O Físico desse escritor (na verdade, título mal traduzido, deveria ser O Médico...) e gostado bastante, por isso peguei esse livro. Me desapontei. A história está relacionada com um diamante do Templo de David que teria sido escondido pelos judeus ao longo dos séculos. Os flashbacks históricos até têm seu charme, mas a história principal, no presente, é mal-desenvolvida, os personagens são rasos e o enredo é sem graça, sem contar que o pseudo-romance é péssimo, em nenhum momento a relação entre o casal soa real. Não percam seu tempo.

8) Forever Amber, Kathleen Winsor (não estou achando nenhuma versão brasileira): sendo sincera, só peguei esse livro porque ele era enorme, mais de 500 páginas, sinônimo de ocupação por algumas-muitas horas. Gostei. Conta a história de uma garota da Inglaterra do século XVII na Inglaterra, que, ambiciosa, consegue sair da sua aldeia natal e se tornar uma das mulheres mais influentes na Corte, amante do rei. Chega um ponto que cansa, a história se prolonga demais, mas a autora é bem competente em reconstruir todos os aspectos da vida na Inglaterra da Restauração. Quando esse livro foi lançado, em 1944, houve algum furor quanto à libertinagem e algumas cenas mais calientes... mas hoje em dia, não choca nem um pouco.

9) O Mundo Segundo Garp, John Irving: fascinante! Fica naquele gênero de livros que eu não sei definir muito bem, algo como um realismo que flerta com o fantástico. Um pouco como Ardil-22. O enredo companha a vida de Garp, desde sua inusual concepção, passando pela sua criação por sua mãe-solteira-independente e segue com sua carreira de escritor, seu casamento, seus filhos, até sua morte. Não vai adiantar muito eu tentar descrever, mas é maravilhoso. E o conto "A Pensão Grillparzer", dentro da própria história (seria um conto escrito por Garp), é uma das histórias mais tocantes que eu já li. Estou louca procurando outros livros do mesmo autor, gostei muito dele.

10) O Guardião de Memórias, Kim Edwards: olha, eu respeito bastante a intenção desse livro, acho importantíssimo mostrar que pessoas com Down podem viver felizes e de forma digna, mas, sério, não precisa de tanta pieguice. Mas não posso deixar de reconhecer que ele consegue ser tocante em vários momentos. Diria que ele é "lível".

11) 13 Stories of Murder And Mistery, vários autores: uma coletânea de contos policiais, bem fraquinhos. Desnecessário na vida das pessoas.

12) Dentes Brancos, Zadie Smith: outro livro surpreendentemente bom. Mesmo estilo de Garp. Temos a história de Archie e Samad, dois amigos que se conheceram na II Guerra, e suas famílias, abordando os problemas do choque entre diferentes culturas e gerações. Muito louco, mas muito bom, cheio de humor e ironia. Fiquei meio triste quando tive que deixá-lo para trás.

13) Firebirds Rising, vários autores: uma coletânea de contos de fantasia e sci-fi voltados para o público adolescente. Vários deles são bons! Mas cansa um pouco o fato de quase todas as protagonistas serem meninas entre 13 e 16 anos, que ninguém ama, ninguém quer (até elas descobrirem que a) na verdade o cara mais gatinho da escola gosta delas ou b) que ela não precisa disso, porque ela é completa e feliz do jeito que ela é)... Estilo Meg Cabot. Mas eu sei que se eu ainda tivesse nessa fase da minha vida eu amaria o livro, porque eu fui assim. E, de qualquer jeito, está sendo um bom passatempo. Leitura leve e descomprometida!

Enjoy ;)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Napoli + Pompéia/Herculaneum

Nápolis é terrivelmente parecida com São Paulo. O trânsito é um caos (justo agora que eu finalmente tinha aprendido a atravessar as ruas de um jeito civilizado...), as ruas são sujas, batedores de carteira estão à espreita, tem bastante pedintes e crianças delinquentes... Mas foi uma das cidades da Itália que eu mais me diverti até agora, por incrível que pareça. É absurda a diferença que um hostel legal faz na sua viagem. Esse que eu estava era realmente uma casa, eu voltava para lá no fim do dia e me sentia confortável de verdade. Sem contar que tinha até um gato! Chegando nos 3 meses de viagem, fazer coisas realmente caseiras começa a ter um gostinho todo especial. Sentar no sofá e assistir um filme com um gato no colo e uma xícara de chá na mão, quer algo mais reconfortante? 

Simon, o gato do hostel :)

Na parte "atrações turísticas", eu gostei muito do Aqueduto subterrâneo, cosntruído pelos gregos e usado até o começo do século passado, quando a água foi contaminada por cólera. Depois, os túneis e cavernas serviram como abrigo anti-aéreo durante a II Guerra (adoro esse jeito que a História tem de ir sendo escrita por cima dela mesma). 
Momento Fantasma da Ópera com velas no aqueduto

O Duomo não é especialmente marcante, embora seja bonito...

O Museu de Arqueologia é imperdível! Lá está boa parte dos afrescos retirados das casas de Pompéia e Herculaneum, dá para ter um panorama bem interessante da cultura e arte romana (e grega também, já que os romanos copiavam vários modelos de pinturas gregas e usavam a mitologia como uma tema recorrente). A seção de estátuas também é bem completa, tem algumas impressionantes.
Afrescos de Pompéia

Busto de Caracalla (parece de verdade, sério)

Nápolis também serve de base para várias day-trips. Eu dei azar no clima e acabei deixando de ir para Capri por causa da chuva (mas pretendo consertar isso em breve!), então só fui para Pompéia e Herculaneum. Pompéia é maior e era mais rica, tem muito mais construções monumentais, templos, etc. Herculaneum, por outro lado, ficou mais conservada, as estruturas estão mais intactas, dá para ver casas com dois andares, por exemplo. Mas, se for para escolher uma só, fico com Pompéia, claro. Meio chocante pensar como, do nada, a cidade ficou simplesmente paralisada. (E, convenhamos, os pompeianos eram mais zicados do que eu. Só alguns anos antes da erupção, a cidade tinha sofrido com um terremoto. Foi só eles acabarem de reconstruir e redecorar as casas que acontece outra catástrofe...)
Pompéia

Pompéia

Herculaneum

Mas o ponto forte de Nápolis é a comida. Primeiro que é estupidamente barata. Mesmo. E depois que é maravilhosa. E é o lugar onde nasceu a pizza. Fui à Pizzeria Da Michele, que é um clássico napolitano. Totalmente sem frescuras. Dois sabores de pizza, margherita e marinara (molho de tomate e alho, sem queijo). Coca-cola, Fanta, água ou vinho. Acabou. Nada de zilhões de variações, sem sobremesa, sem nada. Mas vale muitíssimo a pena, pelo valor e pelo sabor (a pizza "normal", de uns 30 cm de diâmetro, custa 4 euros - e tem pizzarias quase do mesmo nível ainda mais baratas!). Agora, que os napolitanos não me ouçam (não quero a máfia atrás de mim, haha), mas nem achei melhor que as pizzas de São Paulo. Questão de gosto e de costume, possivelmente, mas a textura da pizza estava "errada" para mim. A pizza é bem fininha, mas não é crocante. Parece um pão naan indiano (que eu adoro, by the way. Mas uma coisa é textura de pizza e outra coisa é textura de naan), bem macio. E eles colocam menos queijo e mais molho (mas dessa parte eu gostei, a pizza fica mais leve, dá para comer ela inteira sozinha #gordinhafeelings). Também comi em tratorias aleatórias pela cidade. Não tão aleatórias assim, o pessoal do albergue que sugeria. Mas comi coisas interessantes, como macarrão com feijão, um tipo local de liguiça, vários tipo de bolinhos de aperitivo (tem um de arroz com recheio de queijo que é TOP!)... Vou fazer uma versão do Comer, Rezar, Amar, mas a minha vai ser Comer, Andar, Dormir, haha. Mas nos últimos dias eu já não aguentava mais tanta comilança, acabei indo para o supermercado e improvisando uma refeição de filé de frango, arroz e salada. Saiu mais caro que uma pizza do Da Michele, mas putz, eu estava precisando disso.


(escrito em Salerno, enquanto eu não tinha internet - postado de Sorrento)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Toscana

Estive sumida por uns dias, mas cá estou para continuar meu diário de bordo... O tema de hoje é Florença.

Primeiro, preciso deixar registrada minha decepção por não ter visto campos dourados e girassóis. A Toscana que eu vi do trem era mais verde que dourada (e no dia que eu cheguei nem sol tinha, estava frio e chovendo, embora depois tenha melhorado o tempo). Como eu cheguei já no fim da tarde, depois de altas aventuras no trem (5 horas de viagem e trocas de trem em Bolonha e Prato), não compensava mais fazer nenhum programa turístico, então eu só fui para o albergue, passei no supermercado e essas coisas.

No dia seguinte, acordei cedo, decidida a enfrentar logo uma das grandes filas da cidade: a Galeria della Accademia, onde está o David do Michelangelo, além de várias pinturas e esculturas. Uma hora e meia esperando, eu já achando que não valia a pena... Vi tantos cartões postais do David, de todos os ângulos possíveis e imagináveis, que eu não acreditava que faria diferença ver a estátua ao vivo. Mas fez. Eu meio que entrei em choque. Aquilo é perfeição, cada veia, cada fio de cabelo, cada músculo perfeitamente esculpido. Outra coisa que eu gostei foi a exposição temporária sobre pinturas relativas a casamentos. Eram baús, bandejas e quadros normalmente dados de presentes de núpcias para os noivos, normalmente contendo ensinamentos sobre virtudes que são vitais para manter um casamento. Histórias como a de Ulisses e Penélope (paciência, fidelidade), a romana Lucrécia (que preferiu morrer a viver desonrada após ter sido estuprada), Esther (obediência).... Ok. E aí, vem Alatiel, do Decameron de Boccaccio. Resumindo, ela era prometida para um rei, mas seu navio se perdeu em uma tempestade e ela foi parar em alguma outra terra, onde todos os homens a desejavam. Ela foi passando de mão em mão, até que conseguiu arranjar um jeito de ir para a terra do seu noivo, onde ela casou, conseguiu convencê-lo que era virgem, pura e honrada, e viveu feliz para sempre. ALGUÉM ME EXPLICA A MORAL DESSA HISTÓRIA? Tipo, Lucrécia-honra-morte X Alatiel-desonra-mentira-felicidade... Só eu que acho que tem algo de errado nisso? Enfim.

Depois, visita ao Duomo, para variar um pouco... Lindo, de algo em torno de 1300. Mas vou confessar que dessa vez não me animei em pagar para visitar Tesouro, Batistério, Torre e tudo mais. No entanto, visitei o Museu da Opera do Duomo, onde foram colocadas as obras retiradas do Duomo em algum momento da história para serem substituídas por outras. Estátuas impressionantes, incluindo a Pietà que Michelangelo tinha começado a esculpir para ser colocada na seu próprio túmulo.

Dia seguinte, fui visitar a Igreja da Santa Croce, onde estão enterrados, SIMPLESMENTE, Machiavel, Michelangelo, Galileo, Dante. Só gente sem importância, né? Além disso, afrescos lindos e outro museu da Opera, com mais quadros e estátuas. Saindo de lá, visitei a Casa Buonarroti, que foi da família do Michelangelo, mas que, para falar a verdade, não tem muita coisa que valha a pena. Próxima atração, Palazzo Vecchio dos Medici. Absolutamente megalomaníacos, mas fabulosos. Obra de arte atrás de obra de arte, cada ambiente é uma autocelebração sem infinita... Do lado de fora, a Piazza della Signoria, um museu a céu aberto, com várias obras primas da escultura (e uma cópia do David).

Atravesso o rio Arno pela Ponte Vecchio, que hoje é toda ocupada por lojas de joalheiros (eu li em algum lugar que antes os açougueiros da cidade que ficavam lá, até que os Medici construíram sobre as lojas um corredor que liga o Palazzo Vecchio e a Galleria Uffizi ao Palazzo Pitti, do outro lado do rio, e resolveram que era um negócio muito barulhento e mal-cheiroso, que deveria ser substítuido por algo mais agradável.) Do outro lado, Palazzo Pitti, mais zilhões e zilhões de quadros e os aposentos reais. Um pouco de informação visual demais, fica difícil absorver tudo ao mesmo tempo. Do lado de fora do palazzo, os jardins de Boboli. Infelizmente, não tenho fotos, acabou minha bateria... Mais esculturas fantásticas. Sinceramente, Florença é uma cidade impossível de descrever, a arte está por todos os lados e não há quem possa falar sobre cada escultura, cada quadro.
Santa Croce

Salão do Palazzo Vecchio


Piazza della Signoria

Ponte Vecchio (o andar de cima, com as janelinhas quadradas, é o corredor dos Medici)


Próximo dia, day-trip para Pisa e Lucca. Na verdade, Pisa não tem muito o que ver fora a famosa torre, a igreja e o batistério (ainda que eles sejam todos maravilhosos!). Lucca tem menos ainda, é simplesmente uma cidade bonitinha medieval, com algumas vistas espetaculares dos campos em volta.
dispensa apresentações

Duomo de Pisa

Muralha de Lucca

Pôr do sol em Lucca

Finalmente, como última atração do meu último dia em Florença, Galleria de Uffizi. Mais uma hora e meia de fila (e eu tive sorte, o normal é entre 2 e 4 horas). O que eu posso falar de um museu que tem a Primavera e o Nascimento de Vênus do Botticelli? Que tem obras de Da Vinci? Michelangelo, Caravaggio, Rafael, Tiziano. Surreal a sensação de ver esses quadros que você conhece da sua vida inteira, sabe? Já tinha tido isso vendo a Guernica, por exemplo, mas nesse museu foi um choque atrás do outro. Indispensável.

E é isso. Beijos, amorecos. Em breve, Nápolis. Prometo que não demorarei tanto, não tinha tanta coisa para ver por aqui e eu não vou ficar com taaanta preguiça de escrever (Florença me dava preguiça só de pensar por onde começar).

domingo, 3 de outubro de 2010

HÁ!

Só precisava compartilhar com vocês que não resisti à tentação e comprei uma máscara de colombina... É de papel machê, com detalhes pretos e dourados e um fundo de partituras musicais. (Obviamente, era das mais baratinhas. Tem máscaras todos os preços, algumas chegam a 500 euros, maravilhosas. Mas essas vão ter que ficar para quando eu for bilionária!)


(Não me perguntem como eu vou fazer para ficar carregando isso, sem estragar, na minha mochila... Vou ter que fazer alguma mágica. Ou, no pior dos casos, eu posso andar por aí de máscara. Bem sexy, vai. Posso até incorporá-la na minha futura rotina de pole-dancing no metrô, quando eu começar a precisar de dinheiro!)

Beeijo!

sábado, 2 de outubro de 2010

Veneza

Veneza é realmente tudo aquilo que as pessoas falam. Tão linda que chega a ser insuportável às vezes. Precisava ser TUDO isso? Um pouco mais de modéstia, por favor. Os canais verde-água, os palazzi renascentistas, a Basílica de San Marco com todos os seus mosaicos de ouro, o Palazzo Ducale, cheio de colunas... E ainda tem as lojas, com todas aquelas máscaras do carnaval veneziano e todas as quinquilharias feitas de vidro de Murano. Coisas coloridas e brilhantes! Tem sido mais difícil segurar a tentação de comprar tudo aqui do que foi em Milão, por exemplo. (Prada? Gucci? Bah. O que eu quero mesmo é uma máscara de colombina!)

Gran Canale

Palazzo Ducale

Máscaras!!!

Basílica de San Marco

Mas. 

Eu sei que soa hipócrita falar isso, sendo eu mesma uma turista, mas o grande defeito de Veneza são os turistas. Por três razões principais: primeiro, os lugares ficam cheios demais. Pra entrar na igreja, tem fila. Pra tirar foto nesse lugar "perfeito", tem fila. Insuportável (e agora já é fora de temporada, tremo só de pensar no que deve ser Veneza no verão!). Segundo, os preços ficam inflacionados, tanto na alimentação, quanto na hospedagem, e até no transporte público (um bilhete de vaporetto, os barcos-ônibus, custa 6,50€. O trem de Verona até aqui foi esse preço). Terceiro, e para mim mais importante, é que eu sinto que a essência de verdade da cidade acaba se perdendo, tudo é feito só para atrair turistas. Não digo que não acho lindas as máscaras, mas tem um ateliê a cada 50 m! E as gôndolas, com os gondoleiros vestidos de camisa listrada e chapéu de palha, os cantores fazendo serenata? Totalmente armadilha para turistas... E o triste é que as pessoas aceitam isso. No fim, acaba tudo virando uma grande caricatura do que a cidade deve ter sido um dia. Acho triste.

That's all for today, folks. Amanhã mais um dia em Veneza e segunda parto para a Toscana :)

Beeijos