terça-feira, 19 de outubro de 2010

Livros

Nesses últimos 3 meses eu li nada menos do que 13 livros (o que provavelmente é mais do que eu li no resto do ano inteiro... é isso que dá passar tanto tempo em rodoviárias, estações de trem e semelhantes) e eu resolvi compartilhar um pouco deles com vocês, porque alguns deles foram gratas surpresas pelo caminho (lembrando que eu estou, principalmente, brincando de Book Exchange - você deixa um livro no hostel e pega outro, que alguém deixou - o que restringe bastante minhas escolhas devido a razões como língua - POR QUE TANTOS LIVROS EM SUECO, SÉRIO?).

1) Contos completos de Oscar Wilde: ah, ele é maravilhoso, não? Meu conto preferido é O Rouxinol e a Rosa :) Mas todos são ótimos, acho incrível a capacidade de descrever 'beleza' que Wilde tem, eu sempre termino as história com essas imagens mentais de castelos ou cidades ou jardins quase perfeitos demais para algum dia poderem existir (eu li esse livro enquanto eu viajava pela Espanha, então minha imaginação acabou bem influenciada por lugares como a Alhambra ou o Álcazar...). Recomendo 100%.

2) Adeus às Armas, Hemingway: eu gosto do jeito do Hemingway de escrever, tão preciso e exato. E ele mostra a guerra tão cruamente, sem nenhum glamour, sem muita romantização. Mas, não sei, não me marcou muito. Achei o final um pouco desapontante, terminei de ler e fiquei com aquela cara de "é isso?". Mas talvez esse fosse o ponto que ele queria demonstrar. Hm. Mas certamente, leitura válida.

3) Leite Derramado, Chico Buarque: a mãe da minha amiga que me emprestou esse. Sensacional! Um velhor senhor, de uma família tradicional e poderosa, conta sua história do leito de hospital em que passa seus últimos dias de vida. Entre confusões da memória e repetições, temos um retrato não só de sua biografia, como de boa parte da história do Brasil. E o Chico é sempre o Chico. Ele sabe brincar com palavras...

4) A Ciência Médica de House, Andrew Holtz: haha, pequena indulgência minha ao futricar os livros da minha amiga que é fanática por House. Não acrescenta nada de muito novo. Médicos do mundo real não podem tratar os pacientes tão mal, AH VAH.

5) The Hakawati, Rabih Alameddine: engraçado, ainda não tem tradução para o Brasil, mas em Portugal já tem, como O Contador de Histórias. Esse foi um dos livros que eu peguei não esperando nada, mas que me surpreendeu. Algo como uma mistura de As Mil e Uma Noites e, sei lá, Peixe Grande do Tim Burton. Ao mesmo tempo em que acompanhamos a história da família Al-Kharrat, em especial do avô, contador de histórias profissional, há uma série de contos dentro de contos, baseados principalmente na cultura árabe, e ainda um plano de fundo político, abarcando a Guerra do Líbano. Não consegui largar o livro por nada, tem tudo que uma bos história precisa: aventura, romance, drama, comédia. Fiquem de olho para quando sair no Brasil!

6) A Princesa de Gelo, Camilla Läckberg: falando em livros suecos... Essa é uma famosa autora sueca de livros policiais, que está se tornando mais conhecida por causa da atenção que a trilogia Millenium atraiu para a Suécia. É um bom passatempo, daqueles bem inofensivos. Nada de muito impressionante. A trama é interessante e segura o ritmo a maior parte do tempo, embora os momentos "Bridget Jones" da protagonista às vezes cansem. Na falta de algo melhor para ler, não vai trazer nenhum grande trauma para a vida de ninguém.

7) O Diamante de Jerusalém, Noah Gordon: eu tinha lido O Físico desse escritor (na verdade, título mal traduzido, deveria ser O Médico...) e gostado bastante, por isso peguei esse livro. Me desapontei. A história está relacionada com um diamante do Templo de David que teria sido escondido pelos judeus ao longo dos séculos. Os flashbacks históricos até têm seu charme, mas a história principal, no presente, é mal-desenvolvida, os personagens são rasos e o enredo é sem graça, sem contar que o pseudo-romance é péssimo, em nenhum momento a relação entre o casal soa real. Não percam seu tempo.

8) Forever Amber, Kathleen Winsor (não estou achando nenhuma versão brasileira): sendo sincera, só peguei esse livro porque ele era enorme, mais de 500 páginas, sinônimo de ocupação por algumas-muitas horas. Gostei. Conta a história de uma garota da Inglaterra do século XVII na Inglaterra, que, ambiciosa, consegue sair da sua aldeia natal e se tornar uma das mulheres mais influentes na Corte, amante do rei. Chega um ponto que cansa, a história se prolonga demais, mas a autora é bem competente em reconstruir todos os aspectos da vida na Inglaterra da Restauração. Quando esse livro foi lançado, em 1944, houve algum furor quanto à libertinagem e algumas cenas mais calientes... mas hoje em dia, não choca nem um pouco.

9) O Mundo Segundo Garp, John Irving: fascinante! Fica naquele gênero de livros que eu não sei definir muito bem, algo como um realismo que flerta com o fantástico. Um pouco como Ardil-22. O enredo companha a vida de Garp, desde sua inusual concepção, passando pela sua criação por sua mãe-solteira-independente e segue com sua carreira de escritor, seu casamento, seus filhos, até sua morte. Não vai adiantar muito eu tentar descrever, mas é maravilhoso. E o conto "A Pensão Grillparzer", dentro da própria história (seria um conto escrito por Garp), é uma das histórias mais tocantes que eu já li. Estou louca procurando outros livros do mesmo autor, gostei muito dele.

10) O Guardião de Memórias, Kim Edwards: olha, eu respeito bastante a intenção desse livro, acho importantíssimo mostrar que pessoas com Down podem viver felizes e de forma digna, mas, sério, não precisa de tanta pieguice. Mas não posso deixar de reconhecer que ele consegue ser tocante em vários momentos. Diria que ele é "lível".

11) 13 Stories of Murder And Mistery, vários autores: uma coletânea de contos policiais, bem fraquinhos. Desnecessário na vida das pessoas.

12) Dentes Brancos, Zadie Smith: outro livro surpreendentemente bom. Mesmo estilo de Garp. Temos a história de Archie e Samad, dois amigos que se conheceram na II Guerra, e suas famílias, abordando os problemas do choque entre diferentes culturas e gerações. Muito louco, mas muito bom, cheio de humor e ironia. Fiquei meio triste quando tive que deixá-lo para trás.

13) Firebirds Rising, vários autores: uma coletânea de contos de fantasia e sci-fi voltados para o público adolescente. Vários deles são bons! Mas cansa um pouco o fato de quase todas as protagonistas serem meninas entre 13 e 16 anos, que ninguém ama, ninguém quer (até elas descobrirem que a) na verdade o cara mais gatinho da escola gosta delas ou b) que ela não precisa disso, porque ela é completa e feliz do jeito que ela é)... Estilo Meg Cabot. Mas eu sei que se eu ainda tivesse nessa fase da minha vida eu amaria o livro, porque eu fui assim. E, de qualquer jeito, está sendo um bom passatempo. Leitura leve e descomprometida!

Enjoy ;)

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