quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ciao!

Pois é, eu não morri. Só tinha me esquecido como é complicado manter alguma disciplina enquanto estou, de fato, viajando. Trocar de cidade de 2 em 2 dias, correr atrás de albergue para as próximas paradas, checar preços e horários de trens, e, é claro, conhecer cada cidade, visitar os pontos turísticos, andar sem rumo pelas ruas para tentar descobrir atrações alternativas... Tudo isso cansa, e quando eu finalmente volto para o albergue, falta a vontade de parar e escrever o que aconteceu, especialmente tendo que resumir uma parte completamente anterior da viagem... Então, vou fazer o seguinte: vou parar, temporariamente com a Espanha e Portugal, e vou fazer resuminhos do meu dia. Não requer tanto raciocínio, é mais rápido e fácil. Um dia eu volto e posto o que falta da Espanha (eu parei justo no post que seria sobre a Andalucia, que foi a parte que eu mais gostei :/) e de Portugal.

Então, estamos combinados assim...

Começando, vou ter que fazer um breve resumo da minha última semana. Saí de Madrid e fui para Milão... Não achei TÃO legal, para falar a verdade. O Duomo é lindo, fato, mas o resto da cidade não é tão diferente de São Paulo - Só uma cidade grande e cara... Tem também a Última Ceia do Leonardo da Vinci, mas você tem que comprar ingresso com meses de antecedência, então ficou para a próxima. Curti bastante o desfile que eu vi (a gracinha aqui resolveu ir para Milão justo na Semana de Moda). Óbvio que não era um dos desfiles de "verdade", era de graça e na praça... Mas valeu a pena, teve música, dança e desfile.

Depois, fui para Gênova. Aí sim parecia minha imagem mental de Itália. Ruas sinuosas, palácios renascentistas, torres medievais. Visitei a Casa de Colombo (nem vale a pena, não tem nada dentro...); uma série de palácios (Rosso, Bianco, Tursi, Spinola, Ducale...); que contêm coleções de quadros, além de valerem a visita por si próprios (os nobres sabiam como morar!); e igrejas, muitas igrejas. Tudo muito, muito lindo.

Aí eu fiz uma day-trip para Cinque Terre, que é uma série de vilazinhas no litoral ao sul de Gênova. São vilas bem simples e pequenininhas, mas super lindinhas. A paisagem é espetacular. Mas estava chovendo e eu acabei desistindo na quarta vila. (E no fim, todas elas eram bem parecidas, truth be told.)

Agora estou em Verona, cidade de Romeu e Julieta :) Graciiiinha de cidade, toda medieval! Visitei a Casa de Giulieta (onde não se deixam cartas!), tirei uma foto apalpando o peito dela (dizem que traz um novo amor, e qualquer ajuda nesse departamento está sendo válida). Vi a casa do Romeu também, mas essa é uma casa privada que não se pode visitar. Andei pelas ruas só apreciando a beleza de tudo.... Amanhã visitarei a Arena, que é um dos anfiteatros romanos mais bem conservados da Itália, e todas as igrejas e tudo mais...

(Sem fotos hoje porque a conexão é bem devagar e não está carregando nada!)

E agora, cama, que o dia foi longo! Ciao!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Espanha, pt IV

Ahh, a Espanha não acaba nunca! Mas depois vai ter Portugal, sim, Gabi...

Bilbao: para falar a verdade, não tem muita coisa para visitar em Bilbao fora o Guggenheim, que mais vale pela sua arquitetura do que pelas exposições. O Museo de Bellas Artes também é bom, e estava tendo uma exposição linda de roupas do Balenciaga. Achei curioso que, de todos os lugares que eu visitei, Bilbao era o que menos tinha propagandas em outra língua que não o espanhol. Quero dizer, na Catalunha quase tudo era em catalão, em Santiago, em galego, até em Asturias tinha propagandas em asturiano (que nem chega a ser uma língua...). Mas justo no País Basco, separatista e tudo mais, praticamente 100% das coisas era escrita em espanhol. Quem diria? Mais, de qualquer jeito, achei Bilbao uma cidade muito gostosa para se andar sem rumo, vendo o contraste dos prédios antigos e das pontes e meios de transporte moderníssimos.

De Bilbao eu fui passar um dia em San Sebastián/Donostia, onde agora está acontecendo um festival de cinema, com a presença da Julia Roberts e tudo. Vou confessar que não fiz nenhum programa cultural em San Sebastián, só passei uma tarde deliciosa na praia. (Diz meu guia que a Playa de la Concha é a melhor praia urbana da Espanha, eu não podia simplesmente ignorá-la.)
Guggenheim

Quando eu estava saindo da minha pensión, eu ouvi uma conversa meio atrapalhada de uma menina que não falava espanhol com a moça da recepção, que não falava inglês, e resolvi ajudar com toooodos os meus dotes linguistícos... No fim, descobri que a menina e a irmã dela estavam indo para Oviedo, como eu, e fomos todas juntas para a rodoviária, pegamos o mesmo ônibus e no fim acabamos ficando no mesmo albergue, que elas me indicaram. O melhor é que eu não entendi o nome delas e passei 3 dias sem saber como chamá-las, haha. Eram duas israelenses, super religiosas, que diziam que não eram judias ortodoxas mas eram bem mais rígidas do que todos os judeus que eu conheço. Elas viajavam com uma mala só de comida, porque elas não podem nem comer o pão espanhol - segundo elas, tem gordura de porco no pão. Sei lá, né. E não visitavam nenhuma igreja (que tipo de turismo você consegue fazer na Europa sem entrar em igrejas?), e paravam várias vezes por dia para rezar em direção à Jerusalém. E elas vinham com perguntas como "qual é o significado de ser católica para você?" e elas ficaram chocadas quando eu disse que eu fui criada só nominalmente como católica e que isso não tem o menor significado para mim. Mas, enfim, foi interessante conhecer pessoas que REALMENTE têm uma cultura totalmente diferente da minha.

Próxima parada, Asturias, minha terra ancestral, haha. Não querendo puxar sardinha para o meu lado, mas é realmente uma terra linda. Bem verde, com montanhas, praias, plantações... E igrejinhas pré-românicas perdidas pelos campos. 
Meu albergue era de surfistas e ficava numa praia em Avilés... Pega essa alternatividade! Só eu e as israelenses não estávamos lá para surfar. No dia em que chegamos, passamos o finzinho de tarde em Avilés mesmo, estava rolando alguma dessas fiestas que toda cidadezinha tem por aqui. Várias barraquinhas de jogos ou vendendo cerveja e sanduíches. Tipo uma grande festa junina.
No dia seguinte, Oviedo, capital de Asturias. A catedral é imperdível, uma das principais paradas do Caminho de Santiago - Rota Norte/da Costa. Além disso, no Tesouro estão duas cruzes lindas, a da Vitória (símbolo de Asturias, que, reza a lenda,  foi empunhada por Don Pelayo, na batalha em que derrotou os muçulmanos que tentavam conquistar Asturias, lá em 700 e qualquer coisa, e depois foi revestida de ouro e pedras preciosas e doada à catedral no século X) e a de los Ángeles, do século VII, tão delicada que se dizia que teria sido feita por anjos. Eu sei que eu sou estúpida, mas vou admitir que ver coisas tão antigas e bonitas me deixou à beira das lágrimas. Depois, almoço tradicional com uma deliciosíssima fabada, que é tipo uma feijoada com feijões grandes e brancos, as fabes, cozidas com chorizo e carnes, e devidamente acompanhada de sidra asturiana, com direito ao garçom servir com a garrafa no alto, como é de praxe. (Sério, acho que foi a melhor refeição que eu fiz na viagem inteira.)
Por fim, no meu último dia em Asturias, eu fui para Gijón, onde visitei sítios arqueológicos romanos, para variar um pouco, haha. 

galerë do albergue indo surfar em Avilés

Torre da Catedral de Oviedo

Don Pelayo com a Cruz da Vitória, em Gijón
Thermas romanas em Gijón

E, para finalizar o norte da Espanha, eu fui para Santiago de Compostela. Ver todos aqueles peregrinos me deixou morta de vontade de fazer o Caminho um dia e poder usar a vieira dos peregrinos. Como não podia deixar de ser, o must-see place é a Catedral, imeeensa. Cheguei no horário da missa e até assisti um pedaço (será que eu vou pro céu agora?), mas depois entrei para ver os museus da catedral (são vários, de tapeçarias, arqueológico, de pinturas, de jóias...), vale muito os 3 euros da entrada. Dá para ver cada etapa da catedral, desde sua origem pré-românica até o atual prédio. Também gostei do Colexio de Fonseca (é, com X mesmo. Em galego quase tudo se escreve com X: xustiza, xeneral, xunta... Parece o Toxxal falando! #sanfranfeelings), um dos prédios históricos da Universidade de Santiago, onde estava acontecendo uma exposição de instrumentos musicais medievais... Eu até ouvi uma canção de amigo (é, aquelas das aulas de literatura!) cantada, foi um momento mágico.

Peregrinos


Catedral
Hasta luego :)




segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Espanha, pt III

Zaragoza fica mais ou menos na metade do caminho entre Madrid e Barcelona... Amei a cidade. Pra começar, a estação de trens e ônibus se chama Delícias, não tem como não chegar e não gostar. Zaragoza era originalmente chamada de Caesaraugusta, e como o nome deixa bem claro, era uma cidade romana. Daí resulta que há vários sítios arqueológicos romanos visitáveis: o Teatro, o Foro, o Porto Fluvial e as Thermas. Óbvio que eu surtei com isso, history-nerd que sou. As igrejas, tanto a Seo como a Basílica de Nuestra Señora del Pilar, também definitivamente valem uma visita. Em uma delas, acho que na Seo (agora eu já visitei tanta igreja que até me confundo!), tem um tesouro impressionante, parece tesouro de história de pirata de tanto ouro e tantas pedras preciosas! Na Seo também tem um museu de tapeçarias medievais lindas. Mas o top de Zaragoza para mim é a Aljafería, uma fortaleza e depois palácio arábe, mais tarde reformado por reis católicos e que hoje é a sede do Parlamento de Aragón. Linda, linda. Algo como um mini Álcazar de Sevilla, espetacular.
Um dos pátios da Aljafería - para os muçulmanos (e para mim também!), jardins assim seriam uma representação do paraíso, com árvores e um barulhinho gostoso da água que passa pelos canais...
Rede de túneis usada como cloaca pelos romanos, no Foro (ignorem minha cara de zumbi!)
Teatro romano.

Minha próxima parada foi Pamplona. Até agora, Pamplona foi a única cidade que eu não gostei muito... Talvez seja implicância minha, já cheguei de mal humor porque meu ônibus atrasou, não simpatizei com a dona da pensión, paguei caro pelo meu quarto porque a cidade ainda estava na alta temporada pós-San Fermín... Enfim, uma série de azares. Dizem que a fachada da catedral é linda, mas eu não consegui nem vê-la, por trás de todos os tapumes e guindastes da restauração. Fora issso, não tem muito mais o que visitar, o charme da cidade são suas ruazinhas estreitas (famosas principalmente pelo Encierro, aquela corrida de touros e pessoas, que é o encerramento das festas de San Fermín). Tentei ir para uma baladinha uma noite (na verdade, meu quarto ficava praticamente em cima da balada e eu não estava conseguindo dormir por causa da música. Como "se você não pode contra eles, junte-se a eles"...), mas a média etária devia ser de uns 83 anos, então voltei para o meu quarto e fiquei lendo Hemingway (infelizmente, não era O Sol também se levanta, que se passa em Pamplona, era Adeus às armas. Mas, enfim...). Minha idéia era passar só uma noite em Pamplona, mas devido à falta de local para ficar em Bilbao, acabei ficando 2 noites.... Mas no segundo dia saí o mais cedo possível e cheguei em Bilbao ainda de manhã.


Estátua representando o Encierro de San Fermín
Feirinha de antiguidades que eu adorei :)
A rua em que passa o Encierro.

Por hora, é isso. Mais provavelmente ainda hoje.








domingo, 19 de setembro de 2010

Menção honrosa: Sitges




No post passado eu esqueci de fazer uma menção honrosa à minha aventura em Sitges.

Um belo dia, eu e Gabi resolvemos passar o dia em alguma praia fora de Barcelona, só para variar um pouco. Pegamos um trem de Cercanías e fomos para Sitges, uma cidadezinha ali perto, super gracinha. Mar azul, praia gostosa, tudo ótimo. Aí, quando já estamos devidamente instaladas com nossas toalhinhas na areia, começamos a perceber que tem algo diferente com o público daquela praia. Homens lindos. Maravilhosos. Bronzeados, sarados, perfeitos. E gays. Só gays. Casais, turmas, solitários... Sem saber, nós tínhamos escolhido a praia gay de Sitges para passar o dia. BOA, TIMÊ!


Foi tipo ficar babando numa vitrine de uma loja com coisas que eu nunca poderia comprar. Nunca vi tanto homem bonito junto e acho que nunca mais verei. (Na minha próxima vida, quando eu encarnar como homem - gay - eu vou passar minhas férias em Sitges. E tenho dito.)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Espanha, pt II - Barcelona

Barcelona. Puro amor. Arte, história, baladas e praia, tudo no mesmo lugar, o que mais eu poderia querer da vida?

Não dá para fugir do clichê, a coisa mais imperdível de Barcelona são as construções de Gaudí. Tenho certeza absoluta que se eu tivesse feito essa viagem antes de prestar vestibular, eu não estaria fazendo Direito... Estaria provavelmente estudando Arquitetura. Mas agora Inês já é morta e eu não vou largar a Sanfran (não mais do que eu já larguei para viajar, haha). A Igreja da Sagrada Família é indescritível. As colunas que parecem uma floresta, os vitrais coloridos e seus reflexos nas paredes, as fachadas completamente diferentes entre si, as torres enormes... O mais incrível é que ela ainda está em construção, só uns 50% estão prontos e mesmo assim já é um dos prédios mais impressionantes possíveis. Pena que provavelmente nós não estaremos vivos para vê-la terminada, já que a construção começou há mais de 100 anos e sabe-se lá quantos mais vão ser necessários para acabar. Depois tem as casas particulares, como La Pedrera, a Casa Batlló e o Palau Güell (esse último eu não visitei porque estava fechado para restauração). Minha favorita é a Casa Batlló, com seus azulejos azuis, seus vitrais coloridos, suas linhas sinuosas e suas chaminés absurdas. Para fechar o rolê Gaudí, tem o Parque Güell, onde também fica a Casa Museu Gaudí.
Colunas e vitral na Sagrada Família

Telhado de La Pedrera
Banco do Parque Güell


Casa Batlló by night

Outro lugar que virou um favorito meu em Barcelona foi o Palau de Música Catalana. Além de ser um maravilhoso lugar para se apreciar os vitrais típicos do modernismo catalão, em especial no teto da sala de concertos, a visita guiada ainda inclui uma mini apresentação do órgão de 3000 e poucos tubos. Juro, depois de ouvir a Tocatta e Fuga do Bach naquela sala linda eu poderia morrer que eu estaria feliz. Além disso, durante o verão o Palau organiza apresentações musicais gratuitas. Estive lá em 2 noites, uma de tangos e outra de pop rock catalão, e ambas foram sensacionais, os músicos eram ótimos e o ambiente uma delícia.

Que mais?

Ah, o Poble Espanyol também vale uma visita, com certeza. Ele foi construído originalmente para ser uma das atrações temporárias da Expo 92, mas acabou ficando por lá. É uma mini-cidade, com ruas que representam as várias cidades da Espanha. Algo tipo o Epcot da Disney. Tem uma rua com uma mini Giralda, de Sevilla, outra com casinhas caiadas como as de Cádiz, outras estreitas e sinuosas como Toledo... Puro charme! (E, óbvio, tem lojinhas vendendo o artesanato típico de cada localidade, porque é um mundo capitalista esse em que vivemos!)

Tem o Museu Picasso. Não tem muitas obras da fase cubista mais famosa, mas é bem completo em mostrar o começo e o fim da carreira de Pablito. (Trato personalidades históricas com intimidade, 1 membro) Meu destaque fica para a sala das reinterpretações d'As Meninas do Velázquez. Primeiro você lê um depoimento do Picasso falando que é impossível pintar um quadro exatamente igual o original, porque você acaba mudando um pouco a luz ou o posicionamento dos personagens ou coisas assim. Aí você entra na sala esperando que sejam releituras superparecidas com o original, com mudanças sutis... MAS NÃO! O que você vê são típicos quadros cubistas de Picasso, com um cachorro parecendo um linguado, meninas verdes e tudo o mais. Sensacional! Outro museu importante é a Fundació Miró, que tem trabalhos dele e de outros modernistas e uma vista espetacular de Barcelona. Mas, no quesito arte, meu favorito de todos os tempos é o Teatro Museu Dalí, que fica em Figueres, a 2 horas de trem de Barcelona. O cara era um gênio, completamente maluco. Vale totalmente a viagem.

Agora, vou ter confessar que só fui para a balada uma vez durante a minha semana em Barcelona. O lugar era lindo, ficava na beira da praia, com uma varanda que dava para o mar. Top. Mas, de verdade, esperava mais da noite de Barcelona. Tinham me prometido a melhor noite da Europa... Foi legal, mas nem foi tudo isso, me diverti bem mais nas baladas da Andalucia e de Valencia. As pessoas de Barcelona eram estranhas, sei lá. Todo mundo muito louco. Talvez seja birra minha, sei lá.

Cansei de escrever por hoje, então paro por aqui. Até a próxima.



quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Espanha, pt I - Madrid

Eu tinha pensado em fazer um Top 5 Espanha, mas foi impossível. Cada lugar que eu estive tem sua magia, seu charme, e ficou impossível selecionar só 5 favoritos. Não esperava gostar tanto dessa terra, apesar de ser filha de espanhol e de sempre ter tido essa idéia de Espanha como uma segunda pátria, mesmo que à distância.

Num primeiro momento, o que mais me impressionou foi a luz. O sol aqui parece mais brilhante, não sei como descrever. As cores ficam mais vibrantes, os contornos são absurdamente nítidos, as sombras são quase sólidas de tão definidas. Sair sem óculos escuros é impossível. Estou morrendo de vontade de comprar telas e tintas e tentar reproduzir as cores do céu, das paisagens, do mar, mas acho que vou ter que esperar voltar para o Brasil...

Depois, tem o calor. No verão, as temperaturas chegam a absurdos como 45 graus em algumas regiões, ainda é impossível acreditar que no inverno possa nevar. Eu, paulistana que sou, acostumada com verões de 30 graus, sofri bastante. No fim, aprendi que a siesta não é mera preguiça. Descansar nas horas mais quentes do dia é essencial quando se está em Sevilla ou Granada, por exemplo. (Mas que é irritante o fato de que TUDO fecha das 14h às 17h, é. Até alguns museus menores fecham. E não pensem que as coisas abriram cedo de manhã... O mundo só começa a funcionar de verdade lá pras 11h. A Espanha é um país de notívagos.)

Mas, enfim.
Madrid: Minha impressão principal de Madrid é de uma cidade limpa, arborizada e moderna, apesar de cheia de prédios históricos. Não é uma cidade que te seduz imediatamente, como as cidades da Andalucia, mas ela tem seu charme e quando você menos percebe, pronto. Você já está amando Madrid.

Dos lugares que eu visitei, minha grande paixão é o Parque del Retiro. Enorme, com um estanque cheio de barquinhos a remo e gramados deliciosos para deitar e ler, ouvir música ou simplesmente sonhar acordado. Para ficar melhor ainda, é só comprar um saco de palomitas (pipoca) com mel. É bem parecida com a nossa boa e velha pipoca doce, aquela vermelhinha, mas dourada e com gosto de mel (dãh). Esse domingo estive lá, e enquanto andava com minha amiga, vimos uma repórter da Record. Paramos para averiguar o que estava acontecendo e no fim acabamos dando uma entrevista, exatamente sobre o que achávamos do Retiro. Daqui umas duas semanas deve passar na Record Internacional. (Eu digo que os papparazzi me amam e ninguém acredita. ) O mais engraçado é que a repórter ensaiou nossas respostas antes e dirigiu o que nós tínhamos que falar - ou seja, metade do que nós dissemos é mentira. Televisão-verdade #fail. O parque também tem alguns espaços de exposição de arte (Palácio de Velázquez e Palácio de Cristal), sem contar no número absurdo de estátuas espalhadas... Quase um museu ao ar livre.

Falando em museus... Os três grandes museus de Madrid são o Prado, o Reina Sofía e o Thyssen. Só não fui ao Thyssen ainda.

O Reina Sofía é focado na arte espanhola moderna/contemporânea. Picasso (incluindo a Guernica!), Miró, Dalí, um pouco de Goya. Só gente ruim, deu pra ver.

O Prado é a grande estrela. Um pouco de tudo, mas o forte é a pintura espanhola, desde capelas românicas até o século XIX (daí para frente, está tudo no Reina Sofía). O museu é enorme. Em um dia inteiro que eu passei lá, só consegui ver o piso de baixo, ainda tenho que voltar para ver o piso de cima e a exposição temporária (claro que eu estava parando para ver cada obra, ouvindo todas as faixas do audioguia, etc, etc, mas mesmo assim, ver tudo em um dia só é bem corrido, se não impossível).

O Thyssen, formado por uma coleção privada, é, de acordo com meu guia, uma abrangente coleção sem tema definido que proporciona uma verdadeira aula de História da Arte. Veremos.

Para fechar Madrid e esse primeiro post, que já está ficando longo demais, vou só falar da vida noturna. Como toda grande cidade, Madrid tem suas baladas - em geral, entrada de uns 10 ou 15€, com um ou dois copos de bebida inclusos, mas o que pega realmente é sair andando pela região da Puerta del Sol. Lá você tem zilhares de barzinhos e baladinhas, a maioria com entrada gratuita, e você pode ir pulando de lugar em lugar em busca do ambiente mais agradável. Mas não é só isso! A rua está lotada de promoters desses bares e, até umas 2h da manhã, eles dão flyers que você troca por drinks grátis. Sério. Simples assim. Obviamente que você normalmente não consegue escolher o que eles vão te dar, tomei cada shot (chupito, em espanhol) de cada coisa mais estranha... Licor de cereja, outro que parecia mistura de tequila com tang de morango... Mas, álcool de graça, quem vai reclamar? Dá para você sair, beber e se divertir sem gastar um euro do seu bolso. E isso o ano todo. Não é um mero friozinho abaixo de zero que impede os madrileños de sair à noite. Minha amiga que está morando aqui garante que mesmo quando neva as ruas de Sol estão sempre lotadas.

Também estive na Noche en Blanco - a Virada Cultural de Madrid. As ruas estavam lotadas, pior que a 25 de Março! 700 milhões de participantes. Famílias inteiras, de bebês de colo a velhinhos. Infelizmente, não conseguimos fazer quase nada do nosso planejamento inicial para a Noche en Blanco: o espetáculo Rock The Ballet estava lotado quando chegamos, a "fiesta" para todas as idades com músicas da década de 1940 (sério!) em Cibeles estava chatíssima... Mas pelo menos jogamos Twister gigante! haha).

Ok, por hoje é só, folks. Acho que Barcelona também vai ter um post só dela. Depois, provavelmente vai dar para juntar mais cidades em um só post.
Espero que não esteja sendo muito entediante. Prometo que quando eu começar a postar mais em tempo real, vai ficar menos parecido com um guia de turismo... Aguentem firme comigo!

Será que agora vai?

Muito bem, amigos da Rede Globo. Eu sei que eu larguei totalmente esse blog por uns tempos e não tenho nenhuma razão para justificar isso, fora minha preguiça e a minha dificuldade em me desapegar do que eu escrevo.

Mas agora isso vai mudar. Eu acho.

Vou tentar manter um diário das minhas aventuras e desventuras de mochila pela Europa. Afinal, chega uma hora que a pessoa precisa compartilhar algumas histórias.

Aguardem, em breve meu resumão Espanha, seguido de um Top 5 Portugal.