terça-feira, 21 de setembro de 2010

Espanha, pt IV

Ahh, a Espanha não acaba nunca! Mas depois vai ter Portugal, sim, Gabi...

Bilbao: para falar a verdade, não tem muita coisa para visitar em Bilbao fora o Guggenheim, que mais vale pela sua arquitetura do que pelas exposições. O Museo de Bellas Artes também é bom, e estava tendo uma exposição linda de roupas do Balenciaga. Achei curioso que, de todos os lugares que eu visitei, Bilbao era o que menos tinha propagandas em outra língua que não o espanhol. Quero dizer, na Catalunha quase tudo era em catalão, em Santiago, em galego, até em Asturias tinha propagandas em asturiano (que nem chega a ser uma língua...). Mas justo no País Basco, separatista e tudo mais, praticamente 100% das coisas era escrita em espanhol. Quem diria? Mais, de qualquer jeito, achei Bilbao uma cidade muito gostosa para se andar sem rumo, vendo o contraste dos prédios antigos e das pontes e meios de transporte moderníssimos.

De Bilbao eu fui passar um dia em San Sebastián/Donostia, onde agora está acontecendo um festival de cinema, com a presença da Julia Roberts e tudo. Vou confessar que não fiz nenhum programa cultural em San Sebastián, só passei uma tarde deliciosa na praia. (Diz meu guia que a Playa de la Concha é a melhor praia urbana da Espanha, eu não podia simplesmente ignorá-la.)
Guggenheim

Quando eu estava saindo da minha pensión, eu ouvi uma conversa meio atrapalhada de uma menina que não falava espanhol com a moça da recepção, que não falava inglês, e resolvi ajudar com toooodos os meus dotes linguistícos... No fim, descobri que a menina e a irmã dela estavam indo para Oviedo, como eu, e fomos todas juntas para a rodoviária, pegamos o mesmo ônibus e no fim acabamos ficando no mesmo albergue, que elas me indicaram. O melhor é que eu não entendi o nome delas e passei 3 dias sem saber como chamá-las, haha. Eram duas israelenses, super religiosas, que diziam que não eram judias ortodoxas mas eram bem mais rígidas do que todos os judeus que eu conheço. Elas viajavam com uma mala só de comida, porque elas não podem nem comer o pão espanhol - segundo elas, tem gordura de porco no pão. Sei lá, né. E não visitavam nenhuma igreja (que tipo de turismo você consegue fazer na Europa sem entrar em igrejas?), e paravam várias vezes por dia para rezar em direção à Jerusalém. E elas vinham com perguntas como "qual é o significado de ser católica para você?" e elas ficaram chocadas quando eu disse que eu fui criada só nominalmente como católica e que isso não tem o menor significado para mim. Mas, enfim, foi interessante conhecer pessoas que REALMENTE têm uma cultura totalmente diferente da minha.

Próxima parada, Asturias, minha terra ancestral, haha. Não querendo puxar sardinha para o meu lado, mas é realmente uma terra linda. Bem verde, com montanhas, praias, plantações... E igrejinhas pré-românicas perdidas pelos campos. 
Meu albergue era de surfistas e ficava numa praia em Avilés... Pega essa alternatividade! Só eu e as israelenses não estávamos lá para surfar. No dia em que chegamos, passamos o finzinho de tarde em Avilés mesmo, estava rolando alguma dessas fiestas que toda cidadezinha tem por aqui. Várias barraquinhas de jogos ou vendendo cerveja e sanduíches. Tipo uma grande festa junina.
No dia seguinte, Oviedo, capital de Asturias. A catedral é imperdível, uma das principais paradas do Caminho de Santiago - Rota Norte/da Costa. Além disso, no Tesouro estão duas cruzes lindas, a da Vitória (símbolo de Asturias, que, reza a lenda,  foi empunhada por Don Pelayo, na batalha em que derrotou os muçulmanos que tentavam conquistar Asturias, lá em 700 e qualquer coisa, e depois foi revestida de ouro e pedras preciosas e doada à catedral no século X) e a de los Ángeles, do século VII, tão delicada que se dizia que teria sido feita por anjos. Eu sei que eu sou estúpida, mas vou admitir que ver coisas tão antigas e bonitas me deixou à beira das lágrimas. Depois, almoço tradicional com uma deliciosíssima fabada, que é tipo uma feijoada com feijões grandes e brancos, as fabes, cozidas com chorizo e carnes, e devidamente acompanhada de sidra asturiana, com direito ao garçom servir com a garrafa no alto, como é de praxe. (Sério, acho que foi a melhor refeição que eu fiz na viagem inteira.)
Por fim, no meu último dia em Asturias, eu fui para Gijón, onde visitei sítios arqueológicos romanos, para variar um pouco, haha. 

galerë do albergue indo surfar em Avilés

Torre da Catedral de Oviedo

Don Pelayo com a Cruz da Vitória, em Gijón
Thermas romanas em Gijón

E, para finalizar o norte da Espanha, eu fui para Santiago de Compostela. Ver todos aqueles peregrinos me deixou morta de vontade de fazer o Caminho um dia e poder usar a vieira dos peregrinos. Como não podia deixar de ser, o must-see place é a Catedral, imeeensa. Cheguei no horário da missa e até assisti um pedaço (será que eu vou pro céu agora?), mas depois entrei para ver os museus da catedral (são vários, de tapeçarias, arqueológico, de pinturas, de jóias...), vale muito os 3 euros da entrada. Dá para ver cada etapa da catedral, desde sua origem pré-românica até o atual prédio. Também gostei do Colexio de Fonseca (é, com X mesmo. Em galego quase tudo se escreve com X: xustiza, xeneral, xunta... Parece o Toxxal falando! #sanfranfeelings), um dos prédios históricos da Universidade de Santiago, onde estava acontecendo uma exposição de instrumentos musicais medievais... Eu até ouvi uma canção de amigo (é, aquelas das aulas de literatura!) cantada, foi um momento mágico.

Peregrinos


Catedral
Hasta luego :)




Um comentário:

  1. Bel, achei seu blog pelo do Victor.
    Adorei ler suas aventuras, haha.
    Agora que sei que vc vai mandando notícias por aqui vou tentar dar uma passadinha sempre que der!
    Bom, aproveite muito (nem precisa dizer né?) e continue contando suas histórias!

    Beeeijão

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