terça-feira, 18 de maio de 2010

Desabafo

Tenho ensaiado um texto sobre a situação atual da São Francisco, mas ainda não será dessa vez que ele será publicado. Hoje eu quero falar de um outro assunto, que de alguma forma tem sido recorrente na última semana por razões diversas: machismo.

Antes de mais nada, quero deixar bem claro que não sou feminista, pelo menos não naquele sentido de 'Girl Power, wooohooo! Morte aos homens!", pelo contrário. Eu só acredito que todos os seres humanos têm o direito de se auto-determinarem, independente do seu sexo. Por que a mulher deve ser obrigada a ficar em casa e cuidar de um batalhão de filhos se não é isso que ela quer? Se ela faz essa opção, tudo bem, mas não vejo qual o sentido de manter alguém infeliz e insatisfeito sob essas condições, quando essa pessoa poderia estar sendo útil para a sociedade em alguma profissão que fosse sua verdadeira vocação.
Eu fui criada por uma mãe divorciada, que sempre trabalhou fora para sustentar a casa. Passei a maior parte dos meus dias em período integral na escola e acredito que, longe de ter sido ruim, esse é um diferencial meu. Aprendi a ser independente e resolver todos os meus problemas sozinha desde cedo, sem contar com a proteção da mamãe para me salvar do primeiro sinal de complicação. Tenho muitos amigos que sempre ficaram em casa com a mãe e, sinceramente, não acho que eles tenham tido uma criação melhor que a minha.
Também acho um absurdo alguns homens totalmente desconectados da realidade tentarem impor sua opinião sobre gravidez, métodos de contracepção e aborto (é, estou falando principalmente da Igreja). Usar camisinha, para começo de conversa, é um problema de saúde pública. E nem me venham com a história do celibato até o casamento... Se nem vários dos padres conseguem manter seu fogo sossegado, o que você vai dizer do resto da população? E mesmo depois do casamento, não faz mais sentido uma mulher parir um filho atrás do outro. O mundo já está explodindo com seus 6 bilhões e pouco de pessoas! E garantir uma vida decente para seus filhos não é barato: alimentação, educação, saúde, vestimentas... É preciso um mínimo de planejamento! Sobre o aborto, eu não tenho muita certeza da minha posição: acho que a mulher deve sim ter algum direito de escolha, mas por outro lado fico dividida com relação à vida do feto. Mas de qualquer jeito, acho complicado ser um grupo de homens que não têm a menor idéia do que é estar grávida resolver palpitar sobre esse assunto.
Mas esses são só os casos de machismo gritante e estapafúrdio, que, ainda bem, é defendido por poucos. O que realmente me magoou esses dias foi perceber algumas posturas de pessoas "normais", que escondem uma opinião bem cretina sobre as mulheres. O pior é que às vezes, até mulheres exprimem opiniões assim. É aquele negócio de "Fulana é uma vadia", só porque ela estava com um cara, ou perceber que os caras pensam em você, em primeiro lugar, como um pedaço de carne no mercado. Só por que você resolveu ser amiga de um cara você está querendo seduzir? Sei lá, no fim, parece que a idéia geral é de que mulher só serve para o sexo e isso me deixa revoltada. Do que adianta você estudar, trabalhar, se dedicar a ser uma pessoa boa e tudo o mais, se no fim das contas, tudo que importa é o que você tem no meio das pernas? Deprimente.

Fica o desabafo...

Um comentário:

  1. É... Eu entendo muito bem a sua indignação. E é realmente chocante (e triste) ouvir essas opiniões de pessoas que você não esperava...

    Eu também não sou feminista a ponto de querer extinguir os homens, haha. Mas eu defendo a causa, pois, infelizmente, ainda é preciso. O machismo ainda produz muitas injustiças - uma vergonha.

    Eu sou a favor da liberdade também. Para os dois sexos. Que cada um possa escolher viver sua vida como quer, sem ter que se subordinar a outra pessoa. Sem que seja limitado por preconceitos da sociedade.

    Aliás, o mundo não seria mais agradável se as pessoas rotulassem e julgassem menos?

    Beijos!

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